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O que Trump fará na economia?

Na campanha, ele prometeu romper acordos comerciais, fechar fronteiras a imigrantes e investir dinheiro público em obras de infraestrutura

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2016 | 06h00

Uma incógnita cerca o governo Donald Trump: qual será, afinal, sua política econômica? Na campanha, ele prometeu romper acordos comerciais, fechar fronteiras a imigrantes e investir dinheiro público em obras de infraestrutura para gerar empregos em regiões industriais degradadas. Também lançou um programa com isenções fiscais que custariam US$ 6,2 trilhões em dez anos, de acordo com uma análise do Tax Policy Center (TPC). O TPC estima alta de US$ 7 trilhões na dívida pública em dez anos, caso o plano de Trump seja seguido à risca. Um estudo da Moody’s Analytics avalia que, mesmo que seja alterado no Congresso, o impacto econômico causado pelos novos investimentos será insuficiente para compensar a alta na dívida. No melhor dos cenários, o crescimento do PIB seria de 1,7% ao ano no período – ante 2,1% nas condições atuais. Ou os republicanos que dominam o Congresso (reconhecidos como conservadores fiscais) detêm os planos neokeynesianos de Trump – ou então, rapidamente, os americanos conhecerão as consequências de adotar uma “nova matriz econômica”.

“Deploráveis” buscam espaço no governo

Outra dúvida é o que Trump fará com os aliados incômodos – os tais “deploráveis” – que ajudaram a elegê-lo. Neonazistas, supremacistas brancos e representantes da “alt-right”, a direita racista da internet, já reivindicam seu espaço no novo governo. Até agora, têm sido ignorados.  

A aliança instável de Trump e Putin

Não há garantia de que melhorará a relação entre Rússia e Estados Unidos. Apesar dos acenos mútuos entre Trump e Putin na campanha, há apreensão no ar. A visão de Trump sobre Síria, Otan e Ucrânia enfrentará o choque de realidade no Departamento de Estado. Poderá até haver algum alívio às sanções contra a Rússia, mas é difícil Putin obter de alguém como Trump tudo o que quer.

 As razões para a alta no populismo

O historiador Niall Ferguson aponta cinco ingredientes para o sucesso de Trump e outros populistas: 1) imigração (13% dos que hoje vivem nos EUA nasceram fora do país; em 1970, eram 5%); 2) desigualdade (20% da renda está concentrada nos mais ricos; em 1970, eram 8%); 3) percepção de corrupção (só 9% confiam no Congresso); 4) uma crise financeira histórica; e 5) um demagogo.  

Obamacare foi decisivo para Trump

O aumento médio de 25% na mensalidade dos planos de saúde, resultado das dificuldades do Obamacare para implantar competição entre as seguradoras, foi decisivo para os eleitores de Trump. Quase metade deles diz que a nova lei foi “longe demais”. Nesse grupo, Trump derrotou Hillary Clinton por 70 pontos porcentuais, segundo pesquisa de boca de urna da Edison Media.

As razões de uma muçulmana trumpista

Muçulmana, 51 anos, mãe solteira e eleitora de Trump, a jornalista Asra Nomani (foto) justificou assim seu voto no Washington Post: “Apoio as posições democratas sobre aborto, casamento gay e mudanças climáticas. Mas vejo a América rural e americanos comuns, como eu, lutando para pagar as contas após oito anos de Obama. Não tenho medo de ser muçulmana na América de Trump. O que mais me preocupa é a influência que ditaduras teocráticas, incluindo Catar e Arábia Saudita, teriam na de Hillary”.  

O lamento multicultural de Zadie Smith

A escritora Zadie Smith – cujo novo romance, Swing Time, narra em primeira pessoa a amizade entre duas londrinas filhas de imigrantes – escreveu na New York Review of Books um lamento pessoal depois do plebiscito do Brexit. Filha de jamaicana e defensora do multiculturalismo, ela constata, na prática, o fracasso do projeto de integração de imigrantes, que continuam faxineiros, babás, garçons e motoristas. “Cercas são erguidas por toda parte em Londres. Em volta de escolas, de bairros, de vidas”, diz ela.

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