Jamil Chade/Estadão
Jamil Chade/Estadão

O realista: ‘Saímos da guerra. Para onde vamos, não sei’

Ahmed não fala uma palavra em alemão e seu inglês torto mal lhe garantiria um emprego. Ele e três amigos estão entre os milhares de refugiados a fazer o percurso pela Europa esta semana. Na Sérvia, ao saber que a Hungria estava a 20 quilômetros dali, abraçou um dos colegas. Contou seu périplo para sair da Síria – no porta-malas de um carro –, como deixou a noiva em Homs e sobre a surpresa da falta de estrutura na Europa. 

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL ROSZKE, HUNGRIA, O Estado de S. Paulo

13 Setembro 2015 | 07h00

Questionado sobre seus planos, fez um silêncio. “Saímos da guerra. Mas para onde é que vamos, não sei”, confessou. “Ouvi dizer que a Alemanha nos aceita, por isso vou para lá.” 

O sírio de 24 anos fez um curso técnico de mecânica e espera conseguir um emprego logo. Mas sabe que não terá chances de começar a ganhar a vida enquanto não aprender a língua. “É muito difícil?”, perguntou.

Uma das preocupações das autoridades alemãs é com a integração. Temendo a proliferação de células radicais, as autoridades querem evitar a formação de guetos. Para isso, evitarão colocar todas as crianças sírias em uma mesma classe e esperam incluí-las em grupos com forte presença de alemães. O governo prevê distribuir 300 euros mensais a cada refugiado, além de colocá-los em residências populares. Mas sabe que, se não achar uma solução permanente para a renda dessa população, aprofundará a tensão social que já cresce entre os alemães e os estrangeiros.

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