'O regime chavista matou minha filha'

Hoje faz um mês que Rosa Orozco perdeu sua filha Geraldine Moreno, que levou dois tiros no rosto quando participava de um panelaço na frente de sua casa, na cidade venezuelana de Valência. "Não somos oligarcas nem fascistas", disse Rosa ontem em Washington, onde pretendia participar da sessão do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA). Juntamente com um líder estudantil e um sindicalista da Venezuela, Rosa integrava o grupo que acompanhou a deputada oposicionista venezuelana María Corina Machado em sua tentativa frustrada de discursar durante a reunião da entidade regional. A seguir, trechos da entrevista de Rosa ao Estado.

Entrevista com

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 02h00

Como Geraldine morreu?

O regime (de Nicolás Maduro) matou minha filha. Ela estava na porta de casa, fazendo um panelaço, como fazemos todos os dias às 20 horas. Um integrante da Guarda Nacional chegou em um moto e deu dois tiros à queima-roupa no seu rosto. Ela perdeu os olhos, parte da bochecha e massa encefálica.

Como ela era?

Ela tinha 23 anos e estudava biologia celular. Estava no quinto semestre da faculdade. Ela jogava futebol e seu jogador preferido era Ronaldo. O time era o Real Madrid. Não somos oligarcas nem fascistas. Somos apenas uma das famílias que estão protestando porque não temos abastecimento de comida, não temos luz, não temos gás, não temos remédios, não temos médicos, não temos recursos. Os jovens venezuelanos estão indo para o exterior porque não há futuro na Venezuela. Eu sou divorciada e Geraldine vivia comigo. Era minha companheira.

Alguém do governo a procurou depois da morte de sua filha?

Não, ninguém. Amanhã (hoje) faz um mês que ela morreu e ainda não se sabe qual foi o integrante da Guarda Nacional que a matou.

Quando a sra. soube que ela tinha sido atingida por tiros?

Eu estava no interior do nosso prédio, me preparando para juntar-me ao panelaço quando ouvi os disparos. Desci e vi que era Geraldine. Conseguimos levá-la ao hospital, ela passou por uma cirurgia para reconstituição da face, mas não resistiu. Morreu no terceiro dia. / C.T.

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