O revés de Merkel e Sarkozy

Enfim, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, encontram um ponto comum. No domingo, no poderoso Estado de Baden-Würtemberg (Stuttgart), Merkel sofreu um duro revés - em uma região que sempre foi governada pelo seu partido, a União Cristã Democrata (CDU). Ela perdeu as eleições para uma coalizão de esquerda, composta pelo o Partido Social Democrata (SPD) e pelo Partido Verde.

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2011 | 00h00

Na França, Sarkozy e o seu partido de direita União por um Movimento Popular (UMP) também sofreram uma grande derrota nas eleições locais. O presidente vê-se desafiado pelos socialistas, claro, mas também pelos verdes. Pior: ele assiste, impotente, ao avanço da Frente Nacional de extrema direita, sob a direção da filha do fundador desse partido fascista, Marine Le Pen.

No entanto, as duas derrotas não se assemelham. Na França, o golpe que Sarkozy recebeu é explicável. O presidente estraga tudo. Todas as iniciativas que ele toma são erradas. Mesmo quando tem razão, como no caso da Líbia, seu gênio do mal o priva dos benefícios da sua clarividência. Sua vulgaridade, seus erros de francês, seu menosprezo, provocam uma rejeição visceral, até mesmo entre alguns de seus partidários.

O caso de Merkel é diferente. A economia francesa está claudicando, a alemã prospera. A figura da chanceler não tem nada de inspiradora, mas não provoca repulsa. Ela é uma "trabalhadora". Não é uma fanfarrona. É respeitada internacionalmente. É uma dama admirável.

Ameaça. Portanto, é em outro plano que se deve buscar as razões dessa derrota. Elas se devem aos acontecimentos recentes. O primeiro é que Merkel ficou isolada ao se recusar a aderir - sob a pressão de seus aliados liberais - à coalizão americana e europeia para impedir o coronel Muamar Kadafi de massacrar seu próprio povo em Benghazi.

E há também a tragédia nuclear do Japão. No ano passado, a chanceler tinha decidido prolongar a existência das centrais nucleares alemãs, apesar da virulência do Partido Verde contra a energia nuclear. Nesse meio tempo, ocorreu a explosão de Fukushima - um "presente de Deus" aos verdes. Ontem, nas eleições em Baden-Würtemberg, eles tiveram, sozinhos, 24,2% dos votos. A CDU de Merkel, ainda assim, conquistou 39%.

A CDU perdeu a maioria. O Estado será dirigido por uma coalizão na qual, curiosamente, os verdes é que serão líderes. Será a primeira vez que essa região ficará com a esquerda. Na verdade, a CDU não perdeu muitos eleitores. Seus aliados, os liberais, é que foram mal. Nada indica que o reinado de Merkel esteja no fim. No entanto, ela terá de reformular suas estratégias. TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É CORRESPONDENTE EM PARIS

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