O risco de ajudar os EUA

Número de execuções por grupos de extermínio na fronteira entre Afeganistão e Paquistão cresceu 61%

RAY RIVERA, SHARIFULLAH SAHAK & , ERIC SCHMITT, , THE NEW YORK TIMES, / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK, RAY RIVERA, SHARIFULLAH SAHAK & , ERIC SCHMITT, , THE NEW YORK TIMES, / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h02

Artigo

Autoridades americanas e afegãs acreditam que muitos assassinatos seletivos praticados no Afeganistão são obra de unidades de contrainteligência da rede militante Haqqani e da Al-Qaeda, acusadas de matar suspeitos de serem informantes e aterrorizar a população em ambos lados da fronteira com o Paquistão.

Agentes de inteligência dizem que as unidades agem basicamente como esquadrões da morte. Uma delas, um grupo conhecido como Khurasan, que opera principalmente em áreas tribais do Paquistão, foi responsável por pelo menos 250 assassinatos e execuções públicas.

Outro grupo, de nome desconhecido, atua principalmente no Afeganistão e é suspeito de ao menos 20 mortes na província de Khost entre junho e setembro, incluindo uma decapitação em massa que veio à luz após um vídeo ser encontrado com um insurgente capturado. O vídeo mostra 10 corpos decapitados alinhados ao longo de uma estrada pavimentada. As cabeças repousam perto em um semicírculo, com os rostos visíveis.

Os Haqqanis continuam sendo a parte mais perigosa de uma insurgência que faz pleno uso de uma fronteira porosa e com frequência mal definida. Foi o que mostrou o ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que matou 24 soldados paquistaneses no fim de semana.

Esse ataque azedou ainda mais as relações entre o Paquistão e os EUA, apesar de ter novamente mostrado como o refúgio no interior do Paquistão continua parte crítica da estratégia da insurgência.

A nova onda de assassinatos mostra que, embora a Otan retrate os insurgentes como uma força em declínio, os Haqqanis ainda conseguem afirmar sua influência, não só com atentados à bomba chamativos, mas também via a intimidação e o controle das percepções.

Um caso atribuído ao segundo esquadrão da morte ocorreu depois que forças americanas capturaram um veterano líder dos Haqqanis no Afeganistão, Hajji Mali Khan, e mataram seu principal vice. Dias depois, os cadáveres de dois homens acusados de ter ajudado os americanos surgiram perto da aldeia onde Khan foi capturado. Hastes de ferro em brasa tinham sido enfiadas através de suas pernas Uma vítima havia sido destripada, e as duas foram baleadas na cabeça e esmagadas por pedras.

Os assassinatos cresceram 61%, para 131 mortes reportadas, nos primeiros nove meses deste ano, comparados com o mesmo período de 2010, segundo estatísticas da Otan. Autoridades da ONU dizem que começaram a notar um forte aumento em 2010, com 462 assassinatos, o dobro do número do ano anterior.

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