O roqueiro que virou vice-presidente

A trajetória de Amado Boudou até a vice-presidência da Argentina

Ariel Palacios, Correspondente / Buenos Aires

31 Maio 2014 | 06h00

BUENOS AIRES - Roqueiro amador, guitarrista e DJ, Amado Boudou explicava em 2011, à edição argentina da revista Rolling Stones, a essência da administração da presidente Cristina Kirchner: “Este é um governo muito rock’n roll, pois tem esse espírito de atrever-se a mudar as coisas que não gosta”. Na época, era o ministro da Economia. Meses depois seria o novo vice-presidente.

Apreciador de ternos bem cortados, dono de uma cabeleira cuidadosamente descuidada, o atual vice é também colecionador de canetas-tinteiro, além de ter várias motos Harley-Davidson, sobre as quais é visto às vezes nas ruas do elitista e moderno bairro de Puerto Madero. Boudou ganhou espaço no poder quando, em 2008, no comando do sistema previdenciário, propôs ao casal Kirchner a ousada jogada de reestatização das aposentadorias.

Um ano depois, Cristina colocava “aquele jovem estupendo” - segundo suas palavras - no comando da pasta da Economia. Mas o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) nunca mostrou entusiasmo com o ministro escolhido pela mulher.

O crescimento de Boudou no governo irritou a ala tradicional do estatizante peronismo, já que o bem-apessoado ministro foi, na maior parte de sua vida, militante da União de Centro Democrático, a “UceDé”, principal reduto do neoliberalismo nativo. No entanto, na década passada, converteu-se ao “nacionalismo popular” e às medida protecionistas.

Quando foi eleito vice, em outubro de 2011, Boudou - famoso por sua lealdade a Cristina (ou sua adulação, segundo outras versões) - era apontado como virtual herdeiro político e sucessor presidencial para 2015. Mas em dezembro daquele ano sua carreira começou a afundar com o surgimento de denúncias do caso Ciccone. A partir dali a estrela do vice - que não tem com força política própria - começou a se apagar.

Boudou não é bem-visto por Máximo Kirchner, filho de Cristina, nem por vários ministros do gabinete, que o consideram um “arrivista” no peronismo.

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