O roqueiro vice-presidente de Cristina Kirchner

BUENOS AIRES – Dono de uma cabeleira cuidadosamente descuidada, apreciador de ternos bem-cortados, o vice-presidente Amado Boudou é ocasionalmente visto montado nas ruas de Puerto Madero sobre alguma de suas diversas importadas motos Harley-Davidson. Desde esse elitista bairro Boudou envia tuítes em defesa dos “pobres” e da “indústria nacional”.

Ariel Palacios, correspondente, O Estado de S. Paulo

28 Junho 2014 | 08h03

Roqueiro amador Boudou gosta de fazer comparações com esse estilo musical e a forma da presidente Cristina Kirchner fazer política: “este é um governo muito rock ‘n roll, pois tem esse espírito de atrever-se a mudar as coisas que não gosta”.

Boudou seduziu o casal Kirchner quando, em 2008, no comando do sistema previdenciário, propôs ao governo a reestatização das aposentadorias. Em 2009 Cristina, que definia Boudou como “aquele jovem estupendo”, o designou ministro da economia.

A ala tradicional do estatizante peronismo ficou melindrada com a ascensão de Boudou, um ex-militante da União de Centro Democrático, a “UceDé”, principal reduto do neoliberalismo nativo nos anos 80 e 90. Mas, quando os Kirchners chegaram ao poder Boudou converteu-se rapidamente ao “nacionalismo popular” e às medida protecionistas, deixando de lado a doutrina dos Chicago Boys que havia defendido até a época.

Em 2010 o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) – que preparava-se para disputar a presidência nas eleições de 2011 - morreu inesperadamente de um fulminante ataque cardíaco. Sem o marido para realizar uma alternância no cargo, Cristina teve que candidatar-se à reeleição. Para colega de chapa escolheu Boudou, que começou a ser preparado para ser virtual herdeiro e sucessor em 2015.

No entanto, sua ascendente carreira começou a afundar com o surgimento de denúncias do caso Ciccone. A partir dali, o vice – que não conta com força política própria – deixou de ser cotado para a sucessão e transformou-se em um peso morto. Ao longo do último ano os governadores das províncias e ministros evitam aparecer ao lado do vice, que tornou-se a figura mais impopular da administração Kirchner.

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