O socialismo de livre mercado da Casa Branca

Análise: David Brooks / NYT

O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h00

Espero que o presidente Barack Obama tenha conhecido a história de Maddie Parlier, publicada na revista The Atlantic. Maddie é uma jovem inteligente e trabalhadora. Foi uma boa aluna no colegial, mas ficou grávida no último ano e, quando se separou do pai da criança, teve de pôr fim ao sonho de cursar faculdade. Não tinha condições de pagar uma creche. Conseguiu empregar-se como operária numa fábrica de bombas de combustível, onde ganha cerca de US$ 13 por hora. Gostaria de se especializar, mas em sua situação será difícil que ela realize o sonho americano.

O caso é importante porque mostra a interação das forças econômicas (globalização e tecnologia) e das forças sociais (mãe solteira e a perda do apoio da comunidade). A globalização e a mudança tecnológica aumentam a exigência aos trabalhadores. A decadência social torna mais difícil para eles atenderem a essas exigências.

A idiotice do nosso debate político atual é que nenhum dos dois lados parece capaz de falar da interação das forças econômicas e sociais. A maioria dos candidatos republicanos fala como se fosse necessário um capitalismo ainda maior. Ao mesmo tempo, os democratas mudaram sua ênfase da melhoria das condições dos pobres para o ataque aos ricos. Os candidatos democratas deixaram de enfatizar a educação e o fortalecimento do sentido de comunidade. Aderiram ao romantismo barato do "Ocupem Wall Street" - o ópio das classes mais instruídas.

Essa filosofia materialista enfatiza a redução das desigualdades em vez de ampliar as oportunidades. Suas prescrições políticas começam (e às vezes acabam) com o aumento dos impostos dos ricos. Isso só faz com que você se sinta melhor se detestar todos os idiotas que foram para a área de finanças. Ela não contribui minimamente para tratar dos fatores sociais, como a desagregação da família, que ajudam a compreender o motivo pelo qual a formação do trabalhador americano não acompanhou as mudanças tecnológicas.

Se Obama pretende realmente restaurar o dinamismo econômico dos EUA, precisará de uma estratégia agressiva em duas frentes: maior liberdade econômica associada a uma maior estrutura social e mais competição com mais apoio. Para que as empresas tragam suas fábricas para os EUA Obama terá de simplificar a legislação fiscal, cortar os impostos, racionalizar a regulamentação, tornar mais flexível a política de imigração e equilibrar o orçamento a longo prazo. Para haver mão de obra especializada para essas fábricas, terá de lutar pela adoção de medidas diferentes: programas de treinamento para jovens, melhor coordenação entre faculdades e empresas, mais opções para a assistência diurna às crianças e melhoria da educação desde o início da escolarização. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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