O tapa israelense deve ter feito Obama despertar

O que está ocorrendo entre Israel e EUA, dois países vistos como inseparáveis, aliados tão próximos a ponto de seus inimigos os qualificarem como "um animal de duas cabeças"? A causa imediata dessa disputa foi o "tapa no rosto" que Israel deu no vice-presidente americano, Joe Biden. Amigo de longa data que se orgulha de ser sionista, Biden estava no país com a missão de trazer um abraço caloroso para Israel na véspera de uma nova rodada de diálogo indireto entre palestinos e israelenses. O presente de boas-vindas que recebeu foi o anúncio de 1.600 novos apartamentos em Jerusalém Oriental.

Análise: Jonathan Freedland, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

Foi um soco no olho dos EUA. Netanyahu insistiu que foi um erro que devia ser atribuído à estupidez, não à má intenção: uma comissão de urbanismo de baixo escalão tinha tomado a decisão por "razões técnicas", sem pretender ofender ninguém. Biden respondeu chegando 90 minutos atrasado ao jantar com Netanyahu e sua mulher, e fez um comunicado feroz.

Por que a equipe de Obama decidiu intensificar uma rixa que poderia facilmente deixar que se dissipasse? "Eles estavam exatamente em busca de uma briga", diz Daniel Levy, analista do New America Foundation. Uma explicação seria que Obama "ferveu de raiva" com a acolhida ofensiva dada a seu vice e ficou ainda mais furioso com as tentativas de desculpa de Netanyahu, que insistiu que Israel tinha o direito de se estabelecer em Jerusalém Oriental. Obama também está aproveitando o caso para enviar uma mensagem ao mundo árabe: mostrar que ele não vai se deixar pressionar por Israel.

COMENTARISTA DO JORNAL "THE GUARDIAN"

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