O terror ronda a Europa

A Europa esteve à beira do desastre? Teria escapado de uma série de atentados na França, Grã-Bretanha e Alemanha? Foi o anúncio da rede britânica Sky News. A operação teria sido planejada no Paquistão, na fronteira com o Waziristão do Norte, onde se refugiam os insurgentes do Taleban, os chefes da Al-Qaeda e talvez até Osama bin Laden. O modus operandi seria o mesmo usado em Mumbai, em novembro de 2008, por um comando de jihadistas vindos do Paquistão.

Guilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2010 | 00h00

O apocalipse não foi desta vez. A Europa está silenciosa, em paz. Devemos imaginar que a operação foi cancelada? Ou que os governos europeus procuram acalmar a fúria dos cidadãos com a sua má gestão inventando perigos imaginários? Na dúvida, os jornalistas buscaram os serviços de espionagem de Londres, Berlim e Paris. As respostas foram tranquilizadoras.

Certamente existe um perigo, mas ele também existia ontem, como hoje e amanhã. De imediato, nenhum alarme em particular. O nível de vigilância não foi aumentado. É verdade que ele está bastante elevado desde os atentados de Londres, em julho de 2005. A França mantém alerta vermelho.

Mas não devemos desprezar essas informações. Terroristas são homens resolutos, sutis, muito informados e bastante inteligentes. Como os agentes da polícia, também utilizam a arma psicológica, os falsos rumores. Jogam com os nervos do inimigo. Podem lançar uma notícia falsa, anunciar um atentado tal dia em tal lugar, e na realidade atacar no dia seguinte uma outra cidade. A guerra do terror é também espiritual.

Do lado das autoridades, a resposta é delicada: se dramatizarem demais e multiplicarem os falsos alertas, elas podem cair em descrédito e fazer com que a população fique menos vigilante. Se não repercutirem as informações, os terroristas podem atacar impunemente.

No momento é este o dilema da França. Há 15 dias, o ministro do Interior expressa seus temores. A França é detestada pelos islâmicos, por proibir as mulheres de usar a burca, porque os soldados franceses mataram sete terroristas da Al-Qaeda do Magreb Islâmico e também porque suspeitam que Nicolas Sarkozy apoia Israel.

Para o ministro do Interior, o perigo é iminente. Grupos de terroristas já estariam na França. Desde 1995, jamais o perigo foi tão grande. Os parisienses vivem com medo. Souberam que uma mulher camicase andava por Paris armada com uma bomba e procurava um bom local para se explodir. Informação da polícia argelina. Hoje sabemos que essa mulher jamais existiu.

Num espaço de oito dias, a Torre Eiffel, um dos monumentos mais frequentados do mundo, foi esvaziada duas vezes por uma bomba que a enviaria para o céu. Os especialistas em desativação de explosivos vasculharam o local e nada encontraram. A Torre Eiffel continua muito bem.

Os socialistas, é claro, protestam. Acusam Sarkozy de agitar o espantalho do terror para os cidadãos esquecerem todas as bobagens que ele comete diariamente. Mas essas suspeitas parecem não ter fundamento. Não há dúvida de que a França é um dos países mais detestados pelos fanáticos da jihad. Há um perigo real. Portanto, é importante que os cidadãos saibam que nuvens sombrias vagam sobre Paris. Os alertas do ministro do Interior realmente foram patéticos, teatrais demais. Mas, de outro lado, é verdade também que o governo tem o dever de alertar seus cidadãos de que o perigo existe. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É CORRESPONDENTE EM PARIS

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