Drew Angerer/ AFP
Drew Angerer/ AFP

O thriller do quadro mais caro da história

Uma imagem de Jesus Cristo, atribuído a Leonardo da Vinci, foi vendido no mais disputado leilão da história da arte

Hélio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2017 | 05h00

Uma imagem de Jesus Cristo capaz de encantar ateus e devotos, de conciliar opiniões estéticas do PSOL e do MBL. Um oligarca russo bilionário, que se diz logrado por um suíço oportunista, operador de uma obscura rede armazéns nas zonas francas de Genebra, Luxemburgo, Dubai e Cingapura. O maior e mais disputado leilão na história da arte – de uma obra-prima perdida do renascimento, cuja autoria, confirmada só em 2011, até hoje desperta celeuma.

A história do Salvator Mundi, atribuído a Leonardo da Vinci, reúne os ingredientes perfeitos para mais um thriller de Dan Brown. Depois de uma disputa frenética entre lances anônimos na Christie’s – Catar? Japão? China? –, o quadro sairá das mãos do magnata dos fertilizantes Dmitri Rybolovlev por módicos US$ 450 milhões – mais que o valor de mercado de empresas como Eletropaulo, Cyrella, Tecnisa e metade das listadas nas bolsas de Nova York.

Em 1958, descoberto no inventário de um colecionador, fora leiloado por £ 45, ou US$ 1.075 em valores atuais. Um consórcio de marchands o comprou por US$ 10 mil, em 2005, acreditando ser uma cópia da relíquia perdida. Restaurado e autenticado, o novo Da Vinci veio a público em 2011, cercado de pompa. Dois anos depois, o suíço Yves Bouvier o obteve por US$ 84,7 milhões e o repassou a Rybolovlev por US$ 135 milhões (em dólares de hoje) – numa das dezenas de transações que levaram o russo a processá-lo, exigindo de volta US$ 1 bilhão. Pelo menos um terço ele já recuperou no leilão.

É ou não é um Da Vinci?

Na restauração, exames técnicos revelaram pentimenti do autor ao pintar ambas as mãos (os dedos da bênção foram corrigidos) e um toque com a palma no olho esquerdo, para obter o efeito sfumato característico de Da Vinci. O material da tela (nogueira) e as tintas não deixam dúvida sobre a origem. Mas nem todos concordam com a autoria. Para Michael Daley, diretor da ArtWatch UK, o corte no polegar esquerdo é a prova decisiva de que não se trata do original – cópias posteriores mostram o dedo íntegro.

O mistério da bola de cristal

O olhar, os cabelos, o sorriso ambíguo e o gesto apontam para Da Vinci. Mas um mistério persiste. Em 1507, ano provável da pintura, o maior gênio da humanidade estava fascinado pelo estudo da óptica. Ainda assim, cometeu um erro banal ao reproduzir a imagem refratada na bola de cristal. A distorção da mão é fiel, mas a túnica deveria aparecer invertida. “Suspeito que ele sabia perfeitamente como um objeto visto através de uma bola de cristal apareceria distorcido, mas escolheu não pintá-lo assim. Ou por pensar que seria uma distração ou por querer sutilmente transmitir uma qualidade milagrosa a Cristo e sua bola”, escreve o biógrafo Walter Isaacson.

Intervenção russa na votação do Brexit

Não foi só nos Estados Unidos. Pesquisadores das universidades de Swansea e de Berkeley analisaram o conteúdo de 156 mil contas russas no Twitter às vésperas da votação que determinou o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia. Os britânicos constataram abundância de robôs. Um único usuário fez 241 mil posts reafirmando os direitos da Rússia sobre a Ucrânia.

 

YouTube tira do ar conteúdo jihadista

O YouTube enfim retirou do ar mais de 50 mil vídeos com a pregação mortífera do jihadista americano Anwar al-Awlaki, o líder da Al-Qaeda no Iêmen, morto por um ataque de drones em 2011. O conteúdo continuava a servir para recrutar terroristas no Ocidente.

 

As novas dicas de Radhika Jones

Dicas da nova diretora de redação da Vanity Fair, Radhika Jones: os seriados The Americans e The Crown, sites de viagem, as revistas National Geographic, New Yorker, New York – e outras com as palavras “New York” no título.

 

O sucesso do blogueiro Fernando Pessoa

Duas delas – New Yorker e New York Review of Books – publicaram extensas resenhas elogiando a nova tradução para o inglês de O Livro do Desassossego, coletânea de escritos de dois heterônimos de Fernando Pessoa: Vicente Guedes e Bernardo Soares. Na comparação do economista Gustavo Franco, a obra é precursora dos blogs.

 

 

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