O triunfo dos indignados e a pane da democracia

Para o partido no poder e o seu chefe, o premiê José Luis Rodríguez Zapatero, foi uma bofetada. O PSOE, partido socialista, perdeu 10% de eleitores para o PP, de direita. É o triunfo da direita? Não. É o triunfo dos jovens que abandonaram o comboio espanhol; que têm diploma, mas estão desempregados, operários sem trabalho, os enganados, as vítimas. Aqueles que não são socialistas, mas também não são mais conservadores. São os desencorajados. Os "indignados".

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

O resultado das urnas é menos eloquente do que as manifestações que há 15 dias ocorrem nas praças de uma dezena de grandes cidades. Quando vemos as imagens do milhares de jovens representando todas as classes sociais, não podemos deixar de pensar na Praça Tahrir, no Cairo, onde, por semanas, os jovens para ela convergiam todos os dias até que o tirano Hosni Mubarak caísse no Egito. É exatamente nesse ponto que os "indignados" espanhóis tornam-se ao mesmo tempo iluminados e inquietantes.

Para uma democracia real, como a da Espanha hoje, provocar as mesmas reações como as que se observou nas tiranias, é preciso que toda a mecânica democrática esteja engripada, enferrujada, em pane, incapacitada para prestar serviço.

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