Reprodução/WPC
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O 'twitteiro' que Mubarak não deixava dormir

Sultan al-Qassemi virou celebridade no Twitter narrando em tempo real os eventos da Primavera Árabe

Roberto Simon

16 de dezembro de 2011 | 22h00

SÃO PAULO - Foi uma mensagem profética de 68 caracteres, postada no início de janeiro, que fez de Sultan al-Qassemi uma espécie de narrador oficial da Primavera Árabe no Twitter. Os distúrbios na cidadezinha tunisiana de Sidi Bouzid ainda começavam a virar notícia, quando o analista político de 34 anos dos Emirados Árabes Unidos soltou no microblog: "Avenida do mártir Mohammed Bouazizi, 1985-2010 #SidiBouzid #Tunísia".

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Hoje, de fato existe em Túnis a tal Avenida Bouazizi, nomeada em homenagem ao fruteiro que pôs fogo em seu corpo - e, sem saber, no rastilho de pólvora que percorreu o mundo árabe ao longo de 2011. Mas, quando Qassemi lançou a mensagem, nove dias antes da queda do ditador Zine el-Abidine Ben Ali, a ideia de que o ambulante anônimo viraria nome de rua era, no mínimo, esdrúxula.

 

Colunista do jornal National, de Dubai, Qassemi tinha menos de 7 mil seguidores quando Bouazizi se imolou. Atualmente, tem cerca de 88 mil - além do título de "um dos twitteiros mais influentes do mundo", concedido pela revista Time.

 

Formado em Economia na França, ele virou estrela no universo do microblog ao reunir, em menos de 140 caracteres, informações esparsas sobre o que ocorria nas ruas e nos gabinetes árabes, traduzindo tudo para o inglês. Em pouco tempo, passou a ser "retuitado"("citado", no jargão da rede) por jornais e repórteres do Ocidente.

 

"As pessoas ainda tentavam entender o que tinha acontecido na Tunísia e aí vieram os distúrbios no Egito. Então voltei ao meu ‘modo Twitter’", relembra Qassemi, em conversa com o Estado.

 

Ele já vinha denunciando em seus artigos a cleptocracia de Hosni Mubarak. Mas, com os manifestantes da Praça Tahrir, o "modo Twitter" significou uma compulsão por difundir as notícias que recebia.

 

Qassemi postava em média um comentário a cada 45 segundos. Dormia quando dava, no máximo 4 horas por dia. Quando um amigo casou, ele levou o celular 3G à cerimônia e seguiu twittando diante dos noivos. "Eu sentia que tinha a responsabilidade de manter o fluxo de informações."

 

ROBERTO SIMON, REPÓRTER DA EDITORIA DE INTERNACIONAL, ESTEVE NA FAIXA DE GAZA EM OUTUBRO PARA COBRIR A TROCA DE PRESOS ENTRE O HAMAS E ISRAEL 

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