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O último combate de Bibi

Binyamin Netanyahu é acusado de fraude e de quebra de confiança por aceitar presentes ilegais

Gilles Lapouge*, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2019 | 06h00

Frio, quente e depois frio de novo. Para Israel e seu primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, todo dia é um novo dia – e esses dias são diferentes.

No início da semana, notícias deliciosas nos ouvidos de Bibi vieram de Washington: Donald Trump, do alto de sua sabedoria, de seus tuítes e seguindo a demolição de tudo o que seus predecessores construíram, decidiu que os assentamentos judeus na Cisjordânia ocupada são legais, o que fecha as portas para qualquer negociação sobre o futuro de Israel.

Pouco tempo depois, outras notícias chegaram: o homem que tentava formar um governo após as eleições, o general Benny Gantz, de centro-esquerda moderada, desistiu da tarefa. Israel entra em uma zona tempestuosa e Netanyahu está no final de sua jornada. E não existe um sucessor. Nenhum governo no fim do túnel. 

A bola volta para as mãos de Netanyahu, que ainda é o primeiro-ministro. Ele aceitará uma segunda tentativa de formar um governo e ampliar seu poder?

Afinal de contas, ele trilhou um belo caminho. Ele reinou sobre Israel por dez anos, coisa que nenhum de seus antecessores conseguiu. Bibi não é um homem que se deixa intimidar facilmente. Não é fácil tirá-lo de sua cadeira. Ele vai lutar e seus seguidores estão esperançosos. 

Agora, quase ao mesmo tempo, outra informação abalou o premiê. Um novo desastre: Netanyahu foi indiciado pelo procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit, por três casos de corrupção que o perseguem há alguns anos.

Mais especificamente, Netanyahu é acusado de fraude e de quebra de confiança por aceitar presentes ilegais de até € 200 mil, sob a forma de joias, charutos e champanhe enviados por bilionários em troca de pequenos favores. Um escândalo, já que Israel faz pose de país virtuoso e se orgulhava de nunca ter tido um primeiro-ministro indiciado por crimes cometidos durante o mandato.

Vale a pena dizer que a crise política atual marca a entrada de Israel em uma nova era, na qual já entraram outros países, desde os mais puritanos aos mais poderosos. É fascinante que uma ameaça tão pesada paire ao mesmo tempo sobre os ombros de um dos líderes políticos mais próximos de Netanyahu: o presidente dos EUA, Donald Trump. E a censura que se faz aos dois são parecidas. 

Para os espíritos poderosos e extraterrenos, como os sábios judeus que decifram todos os eventos à luz dos textos sagrados, como a Cabala, por exemplo, tal coincidência seria um aviso para todos os seres humanos, especialmente para israelenses e americanos. Mas aviso de quem? De Deus ou de Mefistófeles? A Cabala é um texto magnífico, mas criptografado. Seus leitores são tão sábios que podem interpretar todas as frases de um jeito diferente – assim como todos nós. 

*É CORRESPONDENTE EM PARIS

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