O uso da diplomacia para obter a bomba

Ao alcançar a exigência de ter seu programa nuclear reconhecido, o risco de um ataque a instalações legítimas seria menor

É PESQUISADOR , DO CONSELHO DE , RELAÇÕES INTERNACIONAIS, RAY, TAKEYH, THE WASHINGTON POST, É PESQUISADOR , DO CONSELHO DE , RELAÇÕES INTERNACIONAIS, RAY, TAKEYH, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2013 | 02h05

Otimismo e progresso são termos raramente associados a encontros diplomáticos que envolvam o Irã. Mas o aparente interesse de Teerã em negociar durante as recentes conversações no Casaquistão permite esperar que talvez as sanções econômicas tenham finalmente produzido um interlocutor iraniano no qual seja possível confiar. Enquanto as potências contemplam a possibilidade de solucionar o enigma do país, seria prudente que elas apreciassem como Teerã usa a diplomacia em sua busca por armas nucleares.

O avanço da República Islâmica rumo à bomba depende de sua capacidade de produzir grandes quantidades de urânio enriquecido, introduzindo, ao mesmo tempo, uma nova geração de centrífugas. Ambas as coisas estão sendo produzidas a um ritmo acelerado em Natanz. Teerã insiste que o Tratado de Não Proliferação Nuclear lhe concede o direito de construir uma infraestrutura atômica de dimensões industriais com consideráveis depósitos de urânio enriquecido a 5% e centrífugas avançadas. Os progressos observados em Natanz e em Fordow devem preparar o terreno para a bomba iraniana.

Se a usina de Natanz alcançar sua capacidade de produção máxima, o Irã estará perto de obter um arsenal nuclear. O escasso rigor do regime de inspeções do TNP torna o tratado uma diretriz não confiável para detectar o persistente desvio de pequenas quantidades de combustível de uma instalação de dimensões industriais. Ao mesmo tempo, o domínio das centrífugas avançadas pelo Irã permitirá que ele enriqueça rapidamente urânio para a bomba.

O problema do Irã é que suas atividades nucleares ilícitas foram detectadas antes que o país pudesse ampliar sua capacidade. Teerã sabe que se intensificar a construção do seu aparato nuclear, correrá o risco de sofrer um ataque militar. Para reduzir o perigo, os diplomatas iranianos insistem que o grupo "P5 + 1" - os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Grã-Bretanha, China, França, Rússia e EUA), mais a Alemanha - reconheça o direito do país ao enriquecimento de urânio.

O objetivo seria dar ao aparato nuclear do Irã uma cobertura legal. Se as grandes potências concordassem formalmente com o direito do Irã ao enriquecimento, os riscos de um ataque militar seriam menores. Seria mais justificável que os EUA ou Israel bombardeassem as instalações ilegais iranianas do que as legitimadas pela ONU.

Para conseguir tais concessões do Ocidente, as autoridades iranianas acenam inteligentemente com a possibilidade de tratar de uma questão que não é essencial para os objetivos de Teerã em relação à bomba: a produção de urânio enriquecido a 20%. As potências ocidentais seriam prudentes se tratassem de impedi-lo.

A melhor maneira de desarmar o Irã é insistindo num limite muito simples: ele deverá aderir a todas as resoluções do Conselho de Segurança relativas às suas infrações nucleares. Comportar-se de outra maneira só estimulará o apetite de clérigos. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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