Obama abre ofensiva política para que Congresso autorize ação contra Síria

Principais assessores de segurança do governo democrata comparecem nesta terça a uma audiência na qual tentarão esclarecer os congressistas sobre os limites e a duração de um eventual ataque

Cláudia Trevisan, Correspondente em Washington

02 de setembro de 2013 | 22h49

Após anunciar no sábado que pediria autorização do Congresso para um ataque à Síria, o presidente Barack Obama iniciou uma ofensiva para conquistar os votos de parlamentares divididos entre extremos que vão da oposição a qualquer ação militar à defesa de uma estratégia mais agressiva, que tenha por objetivo a derrubada do regime de Bashar Assad.

A primeira tentativa pública de convencimento dos parlamentares ocorrerá neta terça-feira, com uma audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado dos secretários de Defesa, Chuck Hagel, e de Estado, John Kerry, e do chefe do Estado- Maior das Forças Armadas, general Martin Dempsey.

O desafio da equipe de Obama será esclarecer a série de dúvidas dos congressistas sobre o que exatamente o presidente espera obter com um ataque à Síria e quais os seus planos de contingência para os inúmeros riscos da operação - o ataque pode desestabilizar ainda mais o Oriente Médio ou levar ao envolvimento direto do Irã e de Israel no conflito, por exemplo.

Tudo indica que os parlamentares vão modificar o projeto de resolução enviado por Obama ao Congresso no sábado, para estabelecer expressamente que o eventual ataque terá prazo para acabar e não levará à entrada de tropas em território sírio.

Obama reuniu-se nesta segunda-feira na Casa Branca com seu rival na eleição de 2008, o republicano John McCain, para quem a eventual derrota do presidente numa questão relacionada à segurança nacional será "catastrófica" para a credibilidade dos EUA.

Principal voz entre os que propõem uma intervenção americana na Síria, McCain condicionou seu apoio ao pedido de Obama à apresentação de um plano abrangente para derrubar Assad. "Ter uma reação fraca é quase tão ruim quanto não fazer nada", declarou McCain em entrevista nos jardins da Casa Branca depois da reunião.

O senador é contra a invasão do país, mas defende o apoio e fornecimento de armas para o Exército Sírio Livre, o grupo que os americanos consideram confiável entre as inúmeras facções que lutam contra Assad.

As dúvidas em relação à eficácia do eventual ataque atravessam os dois grandes partidos do Congresso - o Democrata de Obama e o Republicano de McCain. Levantamento publicado ontem pelo Washington Post indica que a maioria dos congressistas gostou da oportunidade de discutir a questão, mas aguarda os argumentos do governo para decidir seu voto.

Não há dúvida que Obama tem um imenso desafio pela frente, na que é vista como a mais importante decisão do Congresso em relação à política externa do país desde a autorização para o início da Guerra do Iraque, em 2003.

"Depois de uma década de guerra no Oriente Médio, é necessário ter provas contundentes de que há uma ameaça iminente à segurança do povo americano ou seus aliados antes da adoção de qualquer ação militar", declarou o senador democrata Joe Manchin III. "Eu não acredito que a situação atual atinja esse limiar", ressaltou. O senador republicano Rand Paul, apontado como possível candidato à presidência em 2016, também se posicionou contra a intervenção. "É um erro envolver-se na guerra civil síria."

Obama defende uma ação limitada, com o lançamento de mísseis para alvos específicos, com o objetivo de punir o regime de Assad pelo suposto uso de armas químicas no dia 21, quando pelo menos 1.429 pessoas morreram. Os que se opõem sustentam que não há garantia de que os americanos não serão arrastados para a guerra civil que já deixou 100 mil vítimas em dois anos e meio.

Entre parlamentares que apoiam a retaliação, há nos dois partidos os que criticam Obama pela decisão de consultar o Congresso e, em consequência, adiar a operação em pelo menos dez dias. Na avaliação desse grupo, o Ato dos Direitos de Guerra, de 1973, dá ao presidente poderes para ações militares "limitadas". "Obama está abdicando de sua responsabilidade de comandante-chefe e minando a autoridade de futuros presidentes", declarou o republicano Peter King.

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