Obama aceita indicação, ataca Bush e McCain e promete resgatar economia

Em discurso para 75 mil pessoas, candidato diz que vai reduzir impostos, investir em energia limpa e defender o país

Lourival Sant?Anna e Patrícia Campos Mello, ENVIADOS ESPECIAIS, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2008 | 00h00

Diante de 75 mil pessoas, o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, aceitou a indicação do partido prometendo combater os problemas econômicos agravados pelo "governo fracassado de George W. Bush". "América, nós somos melhores do que os últimos oito anos. Nós somos um país melhor que isso", afirmou o candidato, que foi aplaudido de pé pela multidão balançando bandeiras dos EUA e cartazes escrito "mudança". Obama abandonou a retórica grandiosa e fez um discurso pé no chão."Hoje à noite, mais americanos estão sem emprego e mais pessoas estão trabalhando mais para ganhar menos. Mais de vocês perderam suas casas e mais estão vendo o valor delas despencar. Mais de vocês têm carros que não podem manter, contas de cartão de crédito que não conseguem pagar", disse o candidato.Ele atacou duramente seu rival republicano, John McCain, e o presidente Bush, demonstrando que pretende aumentar o tom das críticas daqui para a frente. "John McCain está sozinho em sua teimosia de não acabar com uma guerra equivocada. Isso não vai manter a América segura. Precisamos de um presidente que enfrente as ameaças do futuro, não que se agarre nas idéias do passado." "Não é que McCain não se importe, é que ele não entende", disse Obama, arrancando gargalhadas da multidão, que enfrentou horas de filas antes de lotar o estádio.Primeiro negro candidato a presidente de um grande partido na história dos EUA, Obama fez uma promessa ambiciosa. "Pelo bem da nossa economia, de nossa segurança e pelo futuro de nosso planeta, estabelecerei uma meta como presidente: em dez anos, finalmente acabaremos com nossa dependência do petróleo do Oriente Médio", disse ele, tratando de três preocupações dos americanos ao mesmo tempo: o alto preço do combustível, o financiamento do terrorismo por meio dos petrodólares e, em menor medida, o aquecimento global.ENERGIA ALTERNATIVAObama acusou McCain, de votar contra leis que impunham padrões de eficiência de combustível nos carros e investimentos em fontes renováveis de energia. Ele prometeu investir US$ 150 bilhões na próxima década em energia eólica, solar, na próxima geração de biocombustíveis, gerando 5 milhões de empregos, além de explorar as reservas de gás dos EUA, tecnologia do carvão limpo e energia nuclear "segura".Ao defender sua proposta de "sistema de saúde acessível", Obama assumiu um tom emotivo: "Como alguém que assistiu sua mãe discutir com seguradoras enquanto estava na cama morrendo de câncer, farei essas empresas pararem de discriminar os doentes que mais precisam de atendimento."O candidato voltou a prometer que retirará as tropas americanas do Iraque "responsavelmente", além de "terminar a luta contra a Al-Qaeda e o Taleban no Afeganistão", onde pretende aumentar a presença militar americana. Antes do discurso de 45 minutos, iniciado às 20h15 em Denver (23h15 em Brasília), ao longo de toda a tarde e início da noite desfilaram pelo palco do estádio políticos, militantes e pessoas comuns defendendo a escolha de Obama - que venceu a senadora Hillary Clinton em disputadas primárias. Entre eles estavam também 16 generais e almirantes (incluindo três mulheres), que foram assegurar que Obama daria um bom comandante-chefe das Forças Armadas. "Somos o partido de (Franklin Delano) Roosevelt e de (John) Kennedy", recordou Obama. "Não venha me dizer que os democratas não defenderão seu país."A campanha pôs pessoas comuns para falar, como um integrante do sindicato em Michigan, uma mulher de Ohio desmentindo e-mails xingando Obama, uma diabética sem plano de saúde de Nova York, uma latina do Novo México pedindo escolas melhores e uma mulher da Carolina do Norte que disse que faliu por causa de contas de hospital."Mudança significa um sistema tributário que não recompensa os lobistas que o escreveram", disse Obama, censurando McCain por apoiar "incentivos fiscais para empresas que exportam empregos". Acusado pelos republicanos de querer aumentar os impostos, Obama reiterou sua promessa de "cortar os tributos de 95% de todas as famílias trabalhadoras".Logo no início do discurso, Obama agradeceu o apoio de Hillary, "inspiração para minhas filhas e para as de vocês", e de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, que "fez ontem (no discurso da véspera) a defesa da mudança da maneira que só ele pode fazer".O democrata parafraseou o discurso da indicação de Ronald Reagan em 1980, quando o país vinha de uma estagnação econômica, alta do petróleo, e crise dos americanos reféns no Irã. "É possível olhar para nossa posição no mundo e dizer - vamos ter mais quatro anos disso?" DISCURSO DURO Barack ObamaCandidato à Casa Branca"América, nós somos melhores do que esses últimos oito anos. Nós somos um país melhor do que isso""McCain está sozinho em sua teimosia de não acabar com uma guerra equivocada. Isso não vai manter a América segura""Cortarei impostos de 95% das famílias de trabalhadores. A última coisa que precisamos é aumento de impostos para a classe média"

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