Andrew Harnik/AP
Andrew Harnik/AP

Obama acena a fugitivos da guerra civil

Imagens do menino Aylan Kurdi, de 3 anos, encontrado morto numa praia na Turquia, incentivam a mudança de abordagem do problema

Gregory Korte, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2015 | 02h02

O governo de Barack Obama dá sinais de que poderá receber mais refugiados sírios nos Estados Unidos, uma mudança sutil, mas importante, na visão da Casa Branca quanto à melhor maneira de responder a uma crise humana que vem crescendo.

"O governo está analisando uma série de estratégias para melhor responder à crise global dos migrantes, incluindo sua política para recepção de refugiados no país", disse Peter Boogaard, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional.

Esta declaração sugere uma mudança na abordagem em relação ao problema por parte de Washington, depois das imagens vindas de toda a Europa e do Oriente Médio. Imagens como as do menino Aylan Kurdi, de 3 anos, que morreu afogado em uma praia na Turquia, dos milhares de refugiados tentando desesperadamente embarcar em uma estação ferroviária na Hungria e do caminhão em uma rodovia austríaca onde 71 refugiados foram abandonados e morreram asfixiados.

Esses incidentes levaram as nações europeias - mais recentemente, França, Grã-Bretanha e Vaticano - a redobrar seu compromisso de acolher um número maior de refugiados. Na segunda-feira, o vice-chanceler da Alemanha afirmou que seu país poderá acolher 500 mil refugiados ao ano durante vários anos.

No final da semana passada, o secretário de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, admitiu que existe "uma terrível tragédia humana que vem se desenvolvendo no Oriente Médio", mas deliberadamente não fez menção a nenhuma possível mudança na política de refugiados americana. "Não tenho conhecimento de qualquer mudança de política com relação à entrada de migrantes daquela região nos Estados Unidos", afirmou.

A Casa Branca também não indicou nenhum prazo para tomar uma decisão final sobre o assunto, mas, com base em lei federal, o presidente deve estabelecer o limite anual de refugiados a serem acolhidos pelo país antes de 1.º de outubro. Para este ano, o limite é de 70 mil. Dois mil vieram da Síria. Em 2014 foram apenas 132.

Algumas organizações e mesmo políticos vêm solicitando aos Estados Unidos que aceitem receber 65 mil refugiados sírios no próximo ano, como uma coalizão de religiosos e grupos de ajuda, 14 senadores democratas e o ex-governador de Maryland, Martin O'Malley, pré-candidato democrata à presidência.

Mas alguns congressistas insistem em cautela. O deputado Peter King, republicano representante de Nova York, presidiu uma audiência sobre o assunto em junho e manifestou a preocupação de que "grupos terroristas procurem usar os programas de apoio a refugiados sírios para entrar na Europa e EUA e cometer atentados".

Outro problema que o presidente deve resolver é se concede o status de refugiado aos indivíduos que ainda estão na Síria.

Para obter o status de refugiado, as pessoas deslocadas precisam provar que fugiram do seu país porque "são perseguidas ou existe um temor bem fundamentado de perseguição por motivo de raça, religião, nacionalidade, ser membro de um grupo social particular ou opinião política".

Mas o presidente permite exceções para o caso de indivíduos que requisitem o status de refugiados ainda dentro de seus próprios países. Obama já deu tal permissão para refugiados de Iraque, Honduras, Guatemala, El Salvador e Cuba.

A Casa Branca insiste que os Estados Unidos têm colaborado com os esforços de ajuda aos refugiados, mesmo não o fazendo por meio da concessão de asilo.

Desde que a crise irrompeu em 2011, o país enviou US$ 4 bilhões como assistência para países vizinhos da Síria, disse Josh Earnest. E, segundo ele, os Estados Unidos têm experiência por ter administrado crise similar na fronteira com o México no verão passado e pode fornecer ajuda técnica./Tradução de Terezinha Martino

* Gregory Korte é colunista do USA Today

Mais conteúdo sobre:
obamasiriarefugiados

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.