Obama acredita em 'renúncia de Kadafi'

Presidente americano diz que ditador 'foi surpreendido' e que não resistirá à pressão internacional

Agência Estado

29 de março de 2011 | 20h14

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta terça-feira, 29, acreditar que o ditador da Líbia, Muamar Kadafi, vai deixar o poder eventualmente, e não descartou a possibilidade de fornecer armamentos para os rebeldes do país africano que lutam para derrubar o coronel.

 

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"O que nós fizemos foi surpreender Kadafi", disse Obama durante o programa de televisão Nightly News, da NBC. Segundo o presidente americano, "nossa expectativa é de que se continuarmos aplicando pressão - não apenas militarmente, mas também por outros meios. Kadafi vai renunciar no final", disse. O coronel, porém, não tem um cargo formal e se autointitula "líder da revolução da Líbia", não podendo "renunciar", como disse em um de seus discursos, embora possa deixar o poder.

 

 
Obama também comentou em outro programa de televisão - o Evening News, da CBS - que os partidários de Kadafi estão começando a perceber que "as opções são limitadas e que seus dias estão contados". Recentemente, autoridades americanas especularam que pessoas próximas ao ditador estariam "estudando as opções do coronel", o que ocorreu após o início da intervenção militar internacional autorizada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

 

As entrevistas foram concedidas um dia depois de Obama ter defendido, durante um discurso na Universidade Nacional de Defesa, a participação dos EUA na incursão miltiar na Líbia. Obama afirmou que não podia ficar de braços cruzados enquanto Kadafi massacrava o povo líbio e considerou que a ação americana "impediu o avanço mortal" das tropas do ditador.

 

Mais cedo, também nesta terça, enviados de mais de 40 países e organizações se reuníram na Conferência Internacional de Londres sobre a situação na Líbia. Os representantes concordaram em criar um 'grupo de contato' para mediar a crise no país africano. Os diplomatas defenderam também a renúncia do ditador Muamar Kadafi. Participaram da reunião os EUA, países árabes, africanos, europeus, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a Liga Árabe, a União Africana, União Europeia, Otan e Organização da Conferência Islâmica.

 

A incursão autorizada pela ONU teve início no último dia 19, com o objetivo de defender os civis sob ataque de Kadafi e assegurar a manutenção de uma zona de exclusão aérea. A coalizão internacional promove ataques contra alvos militares do ditador e tem ajudado os rebeldes a avançar em direção a Trípoli, onde pretendem derrubar o regime.

 

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