Obama acusa presidente sírio de buscar ajuda do Irã para reprimir protestos

Presidente americano acusou Assad e as demais autoridades sírias de 'antepor seu interesse pessoal ao dos sírios, ao recorrer à força e cometer violações de direitos humanos escandalosas, já repressivas antes mesmo de os protestos começarem'

Efe,

23 de abril de 2011 | 02h25

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou nesta sexta-feira, 22, o uso da violência por parte do governo sírio contra os manifestantes, e acusou o governante Bashar al-Assad de buscar a ajuda do Irã para reprimir os protestos no país.

 

"Os EUA condenam, nos termos mais enérgicos possíveis, o uso da força por parte do governo sírio contra os manifestantes. O uso degradante da violência para reprimir os protestos tem que cessar imediatamente", afirmou Obama em comunicado no tom mais duro que empregou com a Síria desde o início dos protestos.

 

"No lugar de escutar seu próprio povo, o presidente Assad acusa estrangeiros e procura ajuda iraniana para reprimir os sírios com as mesmas táticas brutais utilizadas por seus aliados" em Teerã, assinalou Obama.

 

Neste sentido, pediu para o líder sírio "mudar de curso agora" e "atender às chamadas de seu próprio povo".

 

A Síria viveu hoje a jornada mais sangrenta desde o começo dos protestos.

 

A Anistia Internacional denunciou a morte de pelo menos 75 pessoas nas manifestações da "grande sexta-feira", denominado dessa forma, com conotação político-religiosa, porque assim é chamada a Sexta-Feira Santa em comunidades cristãs do Oriente Médio.

 

Para Obama, a repressão violenta dos protestos demonstra que o anúncio de suspensão do estado de emergência, em vigor desde 1963 e uma das principais exigências dos grupos de oposição, não é séria.

 

O presidente americano acusou Assad e as demais autoridades sírias de "antepor seu interesse pessoal ao dos sírios, ao recorrer à força e cometer violações de direitos humanos escandalosas, o que se soma às medidas de segurança, já repressivas antes mesmo de os protestos começarem".

 

"Lembrou que nos últimos dois meses, desde que começaram os protestos na Síria, Washington encorajou em repetidas ocasiões Assad e o governo sírio para iniciar reformas sérias, mas eles "rejeitaram respeitar os direitos dos sírios e atender às suas aspirações", lamentou Obama.

Os sírios reivindicam os direitos que todos têm como a liberdade de expressão, de associação e de reunião pacífica, e a capacidade de poder escolher livremente seus líderes, informou o comunicado.

 

Segundo Obama, "o presidente Assad e as autoridades sírias rejeitaram repetidamente suas chamadas e escolheram o caminho da repressão".

 

"Rejeitamos firmemente o tratamento imposto pelo governo sírio a seus cidadãos e seguimos protestando contra sua atitude desestabilizadora e seu apoio ao terrorismo e aos grupos terroristas", acrescentou. Os EUA defendem a democracia e os direitos universais que todos os seres humanos merecem, tanto na Síria como no mundo todo.

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