Michael Kamber/The New York Times
Michael Kamber/The New York Times

Obama admite que avanço no Afeganistão é ''frágil e reversível''

Presidente dos EUA oferece avaliação otimista sobre a guerra, mas evita dar detalhes sobre a retirada

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

Apesar de admitir "ganhos frágeis e reversíveis" no Afeganistão, o presidente dos EUA, Barack Obama, confirmou ontem o início da retirada das tropas do país em julho de 2011. Ao fim da revisão do primeiro ano de adoção da estratégia para o Afeganistão, ele listou as necessidades urgentes de promover o desenvolvimento político e econômico afegão e de obter a cooperação efetiva do Paquistão no combate à Al-Qaeda.

"Estamos em melhor posição para dar às nossas forças no Afeganistão o apoio e os recursos necessários para completar essa missão", afirmou Obama, ao lado dos secretários de Estado, Hillary Clinton, e de Defesa, Robert Gates.As discussões internas sobre a estratégia, lançada em dezembro de 2009, ocorreram na terça-feira. Mas apenas ontem o presidente expôs publicamente o "diagnóstico".

Os EUA mantêm quase 100 mil soldados em uma guerra que já dura nove anos, provocou a morte de 1.436 militares e custou US$ 299,6 bilhões. A decisão de Obama de manter o rumo deve-se aos custos humanos e financeiros. A bancada democrata no Congresso já avisou que não votará por verbas adicionais para as operações militares.

Dos 47 países que formaram a coalizão de combate ao Taleban e à Al-Qaeda, a Holanda iniciou sua retirada em julho. Canadá e EUA começam a sair em 2011. A Polônia fará o mesmo em 2012 e a Inglaterra avisou que não manterá soldados além de 2015.

O relatório final informa ter havido "significante progresso" no desmantelamento da Al-Qaeda no Paquistão desde o ano passado, quando mais 30 mil soldados americanos foram enviados à região. O texto menciona a eliminação de comandantes da rede terrorista e a redução dos locais de refúgios do grupo e de sua capacidade operacional.

Gates reiterou o fato de hoje, mais do que o Taleban, a Al-Qaeda ser a grande ameaça à segurança americana. Entretanto, nem o presidente nem o secretário de Defesa deram qualquer indicação sobre o procedimento de retirada. Uma das principais incógnitas é a parcela dos 100 mil soldados que permanecerão no país, assim como ocorreu no caso do Iraque, e em quais regiões eles serão mantidos. Outra prioridade será dar ao governo afegão ajuda para assumir a segurança do país.

PARA LEMBRAR

Tropas foram reforçadas

Em 1.º de dezembro de 2009, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou o envio de mais 30 mil soldados americanos ao Afeganistão, em um dramático esforço para apertar o cerco contra o Taleban e acabar com a guerra. Ele também propôs o início de retirada das tropas em um prazo de 18 meses. O conflito foi iniciado em outubro de 2001, após os ataques do 11 de Setembro, com o objetivo de depor o regime do Taleban, que abrigava o líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, mentor dos atentados nos EUA.

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