Obama admite que ''missão afegã'' levará tempo

Pressionado pelo aumento de mortes, presidente pede paciência e defende nova estratégia

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente Barack Obama declarou ontem que a guerra no Afeganistão deve se prolongar e admitiu que o conflito não será resolvido facilmente. "Essa missão não será rápida nem fácil", afirmou o presidente americano em discurso a veteranos no Arizona. "A insurgência no Afeganistão não nasceu da noite para o dia, e nós não vamos conseguir derrotá-la da noite para o dia."A quatro dias da eleição no Afeganistão, Obama enfatizou a necessidade de manter as forças americanas no país, mesmo diante da impaciência da população americana com o aumento no número de soldados mortos. O presidente defendeu os primeiros sinais de avanço da nova estratégia do Exército americano. Segundo ele, a guerra no Afeganistão "é fundamental para a segurança dos EUA". "Esta é a guerra que vale a pena lutar", disse Obama. "Não é uma guerra de escolha, é uma guerra de necessidade. Aqueles que atacaram os EUA no 11 de Setembro continuam a orquestrar novos ataques. E se não confrontarmos o Taleban, eles continuarão a abrigar a Al-Qaeda, que ainda conspira para matar mais americanos."Atualmente, os EUA têm 62 mil soldados no Afeganistão - número que deve chegar a 68 mil até o final do ano. A guerra está completando oito anos. O primeiro reforço de quase 30 mil soldados foi enviado a tempo de ajudar o Exército afegão na segurança da eleição. O Taleban ameaça fazer uma série de atentados para afastar os afegãos das urnas. No discurso de ontem, Obama afirmou que a intervenção militar americana "tem um objetivo claro: desmantelar e derrotar a Al-Qaeda e seus aliados extremistas". Ele lembrou que o envio adicional de tropas permitiu que os americanos entrassem em novas zonas, antes dominadas pela insurgência. Reconhecendo erros do passado, Obama disse que as táticas tinham mudado, descrevendo a nova estratégia de contraguerrilha: "Não é suficiente matar extremistas e terroristas, também temos de proteger a população afegã e contribuir para melhorar sua vida. Não basta o poderio militar para ganhar a guerra. Também precisamos de diplomacia, desenvolvimento e boa governança. Por isso, a medida do sucesso não será só a eliminação da Al-Qaeda, mas também a melhoria das condições de vida dos afegãos.Obama também falou sobre a retirada das forças americanas do Iraque, uma de suas principais promessas de campanha. "Vamos cumprir aquilo que prometemos", garantiu. "Nossas brigadas de combate começarão a sair no fim do ano. Todas as nossas tropas estarão fora do Iraque no fim de 2011. E, para os EUA, a guerra no Iraque terá terminado."Ontem, o governo iraquiano enviou ao Parlamento um projeto de lei para a realização de um plebiscito sobre o acordo que Iraque e EUA selaram sobre presença das tropas americanas no país. A votação ocorre no mesmo dia das eleições parlamentares, em janeiro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.