Obama adverte Abbas sobre negociações com Israel

O presidente norte-americano Barack Obama advertiu o líder palestino Mahmoud Abbas de que o fracasso da retomada das conversações diretas de paz com Israel poder prejudicar os laços ente Estados Unidos e palestinos.

AE, Agência Estado

31 de julho de 2010 | 15h45

Obama fez a advertência em uma carta a Abbas, mas também prometeu reunir o apoio de árabes, europeus e russos em torno dos palestinos se as negociações diretas forem retomadas, informou um funcionário palestino à agência France Presse, em condição de anonimato.

"Na carta, o presidente Barack Obama advertiu o presidente Mahmoud Abbas de que sua recusa em se engajar em negociações diretas com Israel no mês que vem terá consequências para as relações entre norte-americanos e palestinos", disse o funcionário. Segundo ele, o documento de 16 páginas tinha uma "abordagem do tipo ''morde e assopra''".

Obama destacou que "é mais do que tempo de retomar as negociações diretas com Israel" e disse a Abbas que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu "está pronto para retomar negociações diretas".

A carta advertiu que "Obama não vai aceitar a rejeição de sua recomendação para a realização de conversações diretas e que haverá consequências para tal rejeição na forma de falta de confiança no presidente Abbas e no lado palestino", afirmou o funcionário.

Obama prometeu que seu governo vai trabalhar para estender a moratória parcial israelense de construção de assentamentos judaicos, que deve terminar em setembro, se Abbas retomar as conversações diretas, acrescentou a fonte.

"Mas no caso de uma recusa, o auxílio nesta questão será muito limitado", disse ele, citando a carta, escrita em árabe.

O negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, confirmou à France Presse que Abbas recebeu a carta de Obama no dia 16 de julho.

"O presidente recebeu no dia 16 de julho uma carta de Obama na qual ele pede que os palestinos se engajem em negociações diretas e que essas negociações vão levar à criação de um Estado palestino independente", disse Erekat.

Na carta, Obama "assegurou a Abbas que o governo dos Estados Unidos vai se esforçar para colocar um fim nos assentamentos (judaicos) se conversações diretas forem encaminhadas, mas que a participação do governo será menor se isso não acontecer", disse Erekat.

A revelação foi feita depois de a Liga Árabe ter concordado, em princípio, na quinta-feira com a retomada de conversações de paz diretas entre palestinos e israelenses, destacando, porém, que Abbas tem a palavra final sobre quando as negociações devem ter início.

O funcionário palestino disse que Obama espera que as conversações diretas tenham início no começo de agosto e que faça referência a questões espinhosas como as fronteiras dos dois países e Jerusalém Oriental, anexada por Israel.

Abbas, que tem mantido conversações indiretas com Israel, mediadas pelos Estados Unidos, condicionou a realização de negociações diretas com Netanyahu a uma série de exigências rejeitadas por Israel.

Ele quer a completa interrupção da construção de assentamentos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, locais ocupados por Israel desde 1967, e afirmou que as negociações sobre as fronteiras do Estado palestino devem ser baseadas nos limites estabelecidos antes de 1967.

Ele ameaçou ir ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se não houver avanços no que diz respeito às suas exigências, mês para o qual está previsto o final das conversações indiretas com Israel. As informações são da Dow Jones.

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