Yuri Gripas/Reuters
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Obama adverte republicanos para que não vetem pacto

Oposição americana pretende apresentar projeto que permite ao Congresso aprovar ou rejeitar acordo nuclear

Cláudia Trevisan - CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2015 | 20h18

Em uma mensagem destinada ao opositor Partido Republicano, o presidente Barack Obama disse nesta quinta-feira, 2, que a eventual rejeição pelo Congresso americano do acordo nuclear iraniano significará o “colapso” da unidade entre as potências que o negociaram e colocará sobre os EUA a responsabilidade pelo fracasso da diplomacia. 

Logo após o pronunciamento de Obama, o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, disse que é “ingenuidade” supor que o regime iraniano não continuará a usar seu programa nuclear para desestabilizar o Oriente Médio. “Minha preocupação imediata é a indicação do governo de que aliviará as sanções no curto prazo. O Congresso deve ter oportunidade de revisar os detalhes de qualquer acordo antes de que qualquer sanção seja levantada”, afirmou Boehner, em nota. 

O pacto prevê o alívio do bloqueio econômico dos EUA depois que inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) comprovarem a aplicação dos compromissos essenciais assumidos pelo Irã.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o republicano Bob Corker, anunciou que colocará em votação no dia 14 um projeto que dá ao Congresso o poder de aprovar ou rejeitar o acordo negociado pelo Executivo.

Obama usou o espectro de uma nova guerra no Oriente Médio para tentar “vender” os méritos do entendimento à opinião pública, aos parlamentares americanos e ao principal aliado dos Estados Unidos naquela região, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. 

Segundo o presidente americano, uma das alternativas à negociação seria bombardear as instalações nucleares iranianas, o que daria início a mais um conflito e retardaria a produção de bombas por apenas “alguns anos”. A outra saída seria manter as sanções contra o Irã e esperar que o país não tenha sucesso no avanço de seu programa – que o governo iraniano assegura ter caráter pacífico. 

Obama ressaltou que isso foi feito nos últimos 20 anos, mas não evitou que o Irã se aproximasse da capacidade de ter armas atômicas. “Esse acordo não tem a confiança como base. Ele tem como base uma verificação sem precedentes”, disse Obama, ressaltando que o Irã estará sujeito ao mais estrito e transparente regime de inspeções já imposto a um programa nuclear.

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