Obama alivia regra para deportação de jovens ilegais

Decreto anunciado a 5 meses das eleições beneficia imediatamente 800 mil imigrantes que chegaram aos EUA com menos de 16 anos

JOHN H. CUSHMAN JR., THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2012 | 03h05

Centenas de milhares de imigrantes ilegais que chegaram com menos de 16 anos aos EUA poderão obter permissão de trabalho e ficar protegidos da deportação por uma nova política anunciada ontem pelo governo de Barack Obama. A medida, apresentada a cinco meses das eleições e de aplicação imediata, atinge pessoas que estão hoje com menos de 30 anos e vivem no país há pelo menos cinco anos.

Entre os requisitos complementares estão não ter ficha criminal, ter diploma do ensino médio, estar estudando ou ter feito o serviço militar. Essas qualificações se parecem às do chamado Dream Act (Lei dos Sonhos), uma medida bloqueada no Congresso em 2010 que pretendia dar cidadania a certos imigrantes ilegais jovens. A medida, que susta as deportações mas não oferece cidadania ou mesmo um status legal permanente, foi implementada por decreto executivo e não requer nova legislação.

O que os imigrantes jovens obterão, segundo autoridades, é a capacidade de pedir uma ação que efetivamente retire a ameaça de deportação por até dois anos, com prorrogações repetidas. "Isso não é imunidade, não é anistia", disse Janet Napolitano, secretária de Segurança Interna. Autoridades estimaram que a nova política afetará cerca de 800 mil pessoas. As pessoas cujos adiamentos forem aprovados poderão pedir permissões de trabalho.

Eleições. A decisão evidenciou a importância dos eleitores latinos para a campanha de reeleição de Obama. Muitos dos Estados em que a eleição será decidida - Flórida, Colorado, Virgínia e Nevada entre eles - têm populações hispânicas grandes e crescentes. A medida de Obama fica aquém do que alguns defensores de direitos esperavam: uma reforma completa do sistema de imigração.

A nova política apresenta um forte contraste com o tom dos candidatos republicanos à presidência durante a temporada das primárias. Mitt Romney, que deve ser o rival de Obama na votação de novembro, adotou uma linha dura contra a imigração ilegal e buscou apoio dos hispânicos enfatizando principalmente o emprego e outras questões econômicas em vez da imigração.

A nova política de Obama poderá pressionar Romney a tratar da situação de jovens que foram levados ilegalmente para os EUA e têm vínculos profundos com suas comunidades. Mas também deu aos republicanos uma chance de retratar o presidente como alguém que age para buscar votos num momento de lento crescimento do emprego.

O senador Marco Rubio, republicano da Flórida, chamou a medida do governo de "uma reposta de curto prazo a um problema de longo prazo". "Há um amplo respaldo à ideia de que devemos imaginar uma maneira de ajudar garotos que estão sem documento embora não por culpa sua", disse Rubio, "mas há também um amplo consenso de que isso deve ser feito de maneira a não encorajar a imigração ilegal no futuro". "Esse é um equilíbrio difícil de se alcançar e essa nova política, imposta por decreto, tornará mais difícil consegui-lo no longo prazo", disse Rubio.

Obama tem usado decretos para fazer avançar partes de sua agenda quando não consegue obter uma ação do Congresso. "Se realmente quisermos fazer deste país um destino para pessoas talentosas e engenhosas de todo o mundo, não deportaremos jovens imigrantes responsáveis e laboriosos que cresceram aqui ou receberam graduações avançadas aqui", disse o presidente em discurso em Cleveland. "Nós os deixaremos ganhar a chance de se tornar cidadãos americanos para que possam fortalecer nossa economia e começar novos negócios aqui mesmo e não em outro lugar."

Como as pessoas que se candidatarem ao benefício não conseguirão obter um status legal permanente, e a política pode ser mudada no futuro, não é certo se todos procurarão o serviço de imigração.

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