Obama ameaça cortar envio de comida se Coreia do Norte lançar foguete

Em sua primeira visita à fronteira entre as duas Coreias, o presidente americano, Barack Obama, alertou o governo norte-coreano de que a retomada do fornecimento de comida a Pyongyang "pode ser prejudicada" caso o país não desista de lançar um foguete com um satélite no próximo mês. Um acordo para envio de 240 mil toneladas de alimentos pelos EUA foi feito no dia 26, em troca da interrupção do programa nuclear norte-coreano.

PANMUNJOM / COREIA DO SUL , O Estado de S.Paulo

26 Março 2012 | 03h01

"Eles precisam compreender que seu mau comportamento não será recompensado", disse Obama, numa entrevista da qual participou o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, o anfitrião de uma reunião de cúpula de segurança nuclear que ocorre hoje e amanhã com Obama e outros 50 líderes mundiais.

Lee também exigiu que a Coreia do Norte "revertesse" a decisão de lançar o satélite, que será montado num míssil de longo alcance. Os dois líderes disseram que tal gesto representaria uma quebra das obrigações da Coreia do Norte, pois o lançamento de mísseis é vetado por sanções das Nações Unidas.

Apesar da condenação internacional, a Coreia do Norte parece determinada a lançar o satélite. No domingo, o Exército sul-coreano disse que Pyongyang tinha transportado o corpo principal de seu foguete Unha-3 para a estação de lançamento recém-construída em Dongchang-ri, vilarejo no noroeste do país.

Obama expressou sua frustração diante do fato de a China, como principal patrocinadora do governo norte-coreano, não ter feito mais para deter o processo. Ele prometeu falar sobre o assunto hoje com o presidente chinês, Hu Jintao. "Assim como a Coreia do Norte precisa tentar algo novo se quiser corresponder aos anseios de seu povo", disse Obama, os chineses devem reconhecer que "sua abordagem nas últimas décadas não produziu uma alteração fundamental no comportamento norte-coreano".

No extremo oposto da zona desmilitarizada, além das torres de vigilância e do arame farpado que separam o norte do sul, uma gigantesca bandeira norte-coreana, vermelha e azul, tremulava hasteada a meio mastro, marcando o centésimo dia desde a morte de Kim Jong-il, que liderou a Coreia do Norte por 17 anos. Os postos de controle e bunkers reforçados pelos quais Obama passou datam de seis décadas atrás, época da Guerra da Coreia. Os presidentes George W. Bush, Bill Clinton e Ronald Reagan fizeram a mesma viagem.

As intenções de lançar um satélite frustraram uma frágil abertura diplomática do filho e sucessor de Kim Jong-il, Kim Jong-un. Analistas dizem que a Coreia do Norte parece estar retomando um ciclo conhecido de provocações, possivelmente enquanto o novo líder do país, jamais submetido a testes expressivos, tenta consolidar seu poder.

Obama disse que "ainda não ficou claro quem é o responsável pelas decisões" na Coreia do Norte. Lee afirmou estar desapontado porque, até o anúncio dos planos para o lançamento do satélite, ele esperava que o novo ditador escolhesse um rumo diferente daquele trilhado pelo pai.

A visita de Obama ocorre num momento simbólico, no segundo aniversário do afundamento do Cheonan, embarcação da Marinha sul-coreana, em que morreram 46 militares. Uma investigação internacional concluiu que o navio foi atingido por torpedos norte-coreanos, acusação que Pyongyang nega. / NYT

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