Olivier Hoslet/EFE
Olivier Hoslet/EFE

Obama ameaça sancionar gás russo

Para presidente dos EUA, Europa deveria reduzir dependência energética de Moscou

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2014 | 23h47

PARIS - O presidente americano, Barack Obama, disse na quarta-feira, 26, em Bruxelas que os Estados Unidos e a Europa pretendem adotar sanções contra o mercado de energia da Rússia, caso o governo de Vladimir Putin volte a interferir na política da Ucrânia. Para Obama, os europeus precisam depender menos das fontes de energia russas e investir mais em suas Forças Armadas para garantir a paz.

O discurso foi o ponto alto da reunião de cúpula EUA-União Europeia, na capital belga. No Palácio de Belas Artes, Obama reiterou que americanos e europeus estão prontos para impor sanções ao setor de energia caso Putin faça novos avanços sobre o território da Ucrânia - como ocorreu com a anexação da Crimeia.

"O que estamos fazendo até aqui é nos organizar sobre a hipótese de sanções suplementares, aprofundadas, se a Rússia seguir em frente e fizer novas incursões na Ucrânia", afirmou, após encontro com o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e o da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. "Creio que a energia é um elemento central de nossos esforços."

Obama sugeriu ainda que os países da UE diversifiquem suas fontes de energia, de forma a reduzir a dependência do gás natural da Rússia.

Países do leste, como a Ucrânia, e até da Europa Ocidental, como a Alemanha, têm no gás russo uma de suas principais fontes de calefação e de produção de energia. "Seria útil se a Europa se debruçasse sobre suas próprias fontes energéticas e sobre a maneira como os EUA podem fornecer fontes de energia suplementares", disse Obama.

Em seu discurso, Rompuy afirmou que as sanções "não são uma punição", nem "uma represália" contra a Rússia, mas "uma incitação positiva para encontrar uma solução diplomática e política". A fala causou constrangimento, porque sintetiza, segundo analistas políticos, a maneira "pouco enfática" com que a Europa está tratando a ameaça de Moscou sobre a Ucrânia.

Segurança

Obama também advertiu Putin sobre o isolamento da Rússia. Na segunda-feira, as potências ocidentais cancelaram a reunião do G-8 - que incluía Putin - e transferiram a do G-7 do balneário russo de Sochi para Bruxelas. Obama afirmou, na ocasião, que o mundo "é mais seguro e mais justo quando a europeus e americanos são solidários". "Os EUA e a Europa estão unidos", ressaltou. "A Rússia está só."

O presidente americano incentivou os europeus a não reduzir seus investimentos em defesa, o que enfraqueceria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). "A situação da Ucrânia nos lembra que a liberdade tem um preço", argumentou.

A situação da Ucrânia também seria tema de outra reunião de Obama, nesta quarta, com o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen. Para o americano, a entrada dos ucranianos na organização não está em questão. A Ucrânia e a aliança militar têm um acordo de parceria assinado em 1997.

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