Obama amplia pacote de ajuda militar a Israel

Reforço de US$ 70 milhões em cooperação é anunciado no momento em que seu rival republicano, Mitt Romney, está a caminho de Jerusalém

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h06

Com o seu adversário republicano Mitt Romney a caminho de Jerusalém para se reunir com autoridades israelenses, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem um pacote de US$ 70 milhões de ajuda militar extra para Israel, considerado um dos principais aliados americanos no mundo.

"Como muitos de vocês sabem, uma das maiores prioridades do meu governo é o aprofundamento da cooperação com Israel em todas as questões de segurança - inteligência, militar e tecnológica", disse o presidente em cerimônia na Casa Branca com a presença de líderes judeus americanos.

Obama acrescentou que os US$ 70 milhões serão para gastos adicionais com o escudo antimíssil israelense. "Esse é um programa importante para garantir a segurança das famílias israelenses e ajuda a prevenir ataques de mísseis dentro do território de Israel", afirmou.

O projeto serve para defender Israel de inimigos como o Hezbollah, na fronteira com o Líbano, e o Hamas, em Gaza. Nas eleições de novembro, o voto judaico é considerado fundamental, especialmente na Flórida, Estado que será disputado voto a voto por republicanos e democratas e pode decidir a eleição no Colégio Eleitoral. Para parte da população judaica dos EUA, as relações com Israel pesam na hora de votar.

Em 2008, Obama conseguiu cerca de quatro em cada cinco votos dos judeus, que tradicionalmente tendem a votar no Partido Democrata. Essa vantagem, contudo, tem se reduzido nas pesquisas. Agora, ele teria 64% dos votos, contra 29% de Romney.

No início de seu mandato, Obama chegou a ver as suas relações se estremecerem com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, ao defender o congelamento dos assentamentos e o uso das fronteiras de 1967 como base para o futuro Estado palestino. Depois, melhorou um pouco ao impedir a inclusão da Palestina como membro pleno das Nações Unidas.

Em Israel, também questionam Obama por ele não ter visitado o país como presidente dos Estados Unidos. Romney, por sua vez, com a viagem a Jerusalém, busca mostrar aos israelenses que ele será um maior defensor do país no cenário internacional. Sua campanha acusou ontem Obama de anunciar a ajuda financeira apenas para tentar ofuscar sua visita.

O candidato republicano também usará a sua amizade pessoal com Netanyahu. Os dois trabalharam juntos no Boston Consulting Group, nos anos 70, depois de se formarem em Harvard (Romney) e MIT (premiê israelense). Ambos também possuem visões econômicas parecidas e, no passado, já declararam admiração mútua.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.