Obama anuncia imposto para petrolíferas e critica McCain

O candidato à Presidência dos EUApelo Partido Democrata, Barack Obama, tentou na segunda-feiraacalmar os norte-americanos assustados com os altos preços dagasolina afirmando que, se eleito, adotará um imposto sobrelucros inesperados a ser cobrado das empresas petrolíferas. Dando início a um período de duas semanas durante o qualtratará principalmente da economia do país, hoje em crise,Obama apresentou planos bastante diferentes de seu adversáriona disputa de novembro, o republicano John McCain, a quemacusou de querer ampliar as isenções fiscais concedidas pelopresidente norte-americano, George W. Bush, e de, assim,expandir ainda mais as dívidas dos EUA. Em um cenário no qual os norte-americanos enfrentamdificuldades para pagar o preço de 4 dólares por galão (3,78litros) de gasolina, no qual aumenta a taxa de desemprego e noqual diminui a confiança do consumidor, Obama tenta focar acampanha nas questões econômicas. "Não é preciso ler os índices das bolsas ou acompanhar asmanchetes do caderno de finanças para compreender a seriedadeda situação em que estamos", afirmou. A economia é um campo no qual Obama circula com maisdesenvoltura. Já McCain colocou a segurança nacional e apolítica externa no centro de sua campanha e repetiu váriasvezes que o democrata não dispõe da experiência necessária paracomandar o país. Ingressando na eleição geral com uma pequena vantagem emrelação a McCain nas pesquisas de intenção de voto, Obamavoltou a descrever seu pacote de estímulo de 50 bilhões dedólares como um instrumento para incentivar os consumidores agastarem e injetar novo ânimo na economia. O candidato citoutambém a criação de um fundo de 10 bilhões de dólares paraajudar os proprietários de imóveis afetados pela crise nessesetor. "Vou fazer com que as petrolíferas como a Exxon paguem umataxa sobre seus lucros inesperados e vou usar esse dinheiropara ajudar as famílias a arcarem com os gastos cada vezmaiores com a energia e com outras contas", afirmou Obama,senador pelo Estado de Illinois. O democrata, 46, que pode se transformar no primeiro negroa comandar os EUA, disse que a manutenção das isenções fiscaiscriadas por Bush, conforme promete McCain, permitiria que asempresas poupassem 2 trilhões de dólares com os impostos. Segundo Obama, só a Exxon Mobil Corp, que faturou 40,61bilhões de dólares no ano passado, pagaria 1,2 bilhão a menosem impostos. "Se as políticas de John McCain forem implementadas, elasfariam com que o déficit público aumentasse 5,7 trilhões dedólares na próxima década. Isso não tem nada a ver comconservadorismo fiscal. Foi isso o que George W. Bush fez aolongo de oito anos", afirmou Obama. Os contrários ao imposto cobrado sobre lucros inesperadosdizem que a medida revelou-se contraprodutiva quando adotadapelos EUA em 1980, no último ano do governo do presidente JimmyCarter. Para esses especialistas, a medida, cancelada em 1988durante o governo do presidente Ronald Reagan, fez com que aspetrolíferas diminuíssem a produção interna. Na segunda-feira, McCain, 71, que pode se tornar o homemmais velho a ser eleito para um primeiro mandato como dirigentedos EUA, participou de um evento de arrecadação de verbas emRichmond e lembrou os presentes sobre o desafio feito por ele aObama, o de participar de dez encontros cara-a-cara em váriascidades norte-americanas para debater as questões maisimportantes da disputa. "Até agora, ele não aceitou isso", afirmou o republicano. McCain, senador pelo Estado do Arizona, sugeriu que oprimeiro encontro ocorresse na quinta-feira, no Federal Hall,em Nova York. "Ele não vai estar lá. Mas nós continuaremos a convidá-loe, talvez, com o passar do tempo, ele aceite participar. Aomenos é isso o que eu espero," afirmou McCain. (Reportagem adicional de Caren Bohan e Jeff Mason)

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