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Obama anuncia novo diretor da CIA

Presidente eleito diz que não haverá mais tortura em interrogatórios

REUTERS, NYT E THE GUARDIAN, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, que assume a presidência no dia 20, confirmou ontem Leon Panetta, ex-chefe de gabinete do governo de Bill Clinton, para dirigir a CIA, o almirante Dennis Blair como diretor nacional de inteligência e John Brennan, veterano funcionário da CIA, como conselheiro de segurança da Casa Branca, que coordenará as medidas antiterror do país. A indicação de Panetta, que tem pouco conhecimento do mundo da espionagem, foi bastante criticada em Washington. No entanto, Obama descreveu ontem a dupla Panetta e Blair como de "inquestionável integridade, ampla experiência e singularmente qualificados" para os postos. Durante o governo Clinton, Panetta, que foi deputado por 16 anos, ficou conhecido por administrar o orçamento federal. No governo Bush, participou de uma comissão bipartidária que recomendou, em 2007, uma retirada gradual das tropas americanas do Iraque - recomendação ignorada pela Casa Branca.Panetta começou sua carreira no Partido Republicano, mas mudou de lado nos anos 70. Advogado, 70 anos, será o diretor mais velho da história da CIA. Especialistas em inteligência dizem que Panetta tem a seu favor o conhecimento dos bastidores do governo e a reputação de ser honesto. Ontem, ele afirmou que os agentes dos serviços secretos "estão na linha de frente" da segurança e merecem todo o seu apoio. A direção da CIA era o último cargo de primeiro escalão ainda vagos no governo de Obama. A agência de inteligência tem sido criticado pelo uso de tortura em interrogatórios.TORTURANa entrevista concedida ontem para apresentar suas últimas indicações, Obama afirmou que acatará a Convenção de Genebra, que proíbe a tortura. "Fui claro durante a campanha e durante a transição: no meu governo, os EUA não torturarão", disse. "Para estarmos realmente seguros precisamos nos mantermos fiéis a nossos valores da mesma forma como protegemos nossa segurança, sem exceção."Obama afirmou também que vê o Irã como uma "ameaça genuína", mas disse que ainda defende um diálogo com Teerã. "Eu já disse isso no passado, principalmente ao longo da campanha, que o Irã é uma ameaça genuína à segurança nacional dos EUA", declarou o presidente eleito. "Mas eu também disse que devemos estar dispostos a introduzir a diplomacia como mecanismo para alcançar nossos objetivos de segurança nacional. Minha equipe reflete essa abordagem pragmática."A equipe de transição negou ontem que o presidente eleito pretenda dialogar com o Hamas, como publicou na quinta-feira o jornal britânico The Guardian. "Obama disse várias vezes que o Hamas é uma organização terrorista dedicada à destruição de Israel e não devemos negociar com ele até que renuncie à violência e respeite acordos passados", afirmou em comunicado Brooke Anderson, porta-voz de Obama. "As declarações do presidente eleito são claras. Essa reportagem sem fontes não."NEGOCIAÇÕESO jornal britânico afirma que ouviu três membros diferentes na equipe de Obama, que não quiseram se identificar. Na reportagem, os três foram claros ao afirmar que os EUA mudarão a política do atual governo de isolar o Hamas. De acordo com o jornal, isso não seria feito publicamente e nem imediatamente após a posse, mas que as agências de inteligência do país, aos poucos, "iniciariam contatos preliminares" com o grupo islâmico palestino.

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