Obama anuncia plano contra EI nesta semana

Presidente americano vai ao Congresso amanhã e discursa sobre ofensiva na quarta-feira; líder garante que não mandará soldados ao Iraque

WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2014 | 02h02

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem em entrevista a um programa de TV que vai explicar aos americanos e aos líderes do Congresso nesta semana seu plano para "uma ofensiva" contra o Estado Islâmico (EI) no Oriente Médio. Ele esclareceu que não vai enviar tropas americanas para combater os extremistas e também não pretende retomar a guerra no Iraque.

Obama fará um discurso na quarta-feira para descrever como será o "plano de ação" e vai se encontrar com líderes do Congresso amanhã em busca de apoio para deter o grupo militante islâmico que controla parte da Síria e do Iraque.

O presidente, que fez campanha para tirar as tropas americanas do Iraque, tem lutado para esclarecer como quer lidar com o EI. No mês passado, ele disse que ainda não tinha uma estratégia para enfrentar o grupo.

"Quero apenas que o povo americano entenda a natureza da ameaça, como vamos lidar com ela, e acredite que conseguiremos combatê-la", disse Obama em entrevista ao programa da rede americana NBC, Meet the Press, que foi ao ar ontem. A entrevista foi realizada no sábado, em Washington.

O discurso de quarta-feira ocorrerá um dia antes do aniversário de 13 anos dos ataques do 11 de setembro de 2001, quando militantes da Al-Qaeda lançaram aviões contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, matando quase três mil pessoas.

Na entrevista, Obama garantiu que o governo não tem nenhuma informação da inteligência sobre ameaças imediatas ao país por parte do EI. Mas ressaltou que o fato de o grupo atrair combatentes estrangeiros de países ocidentais faz com que seja necessário redobrar a atenção. "Com o tempo, isso pode se tornar um perigo sério ao nosso país."

Em outra entrevista, concedida no início do ano, Obama colocou o EI em uma categoria de grupos de militantes estrangeiros que seriam uma ameaça pequena, comparando-o com um time de jogadores universitários de segunda linha. Na entrevista de ontem, no entanto, ele disse que o grupo cresceu. "Eles não são mais um time de universitários de segunda linha", afirmou o presidente.

Represa. Aviões americanos lançaram ontem novos ataques contra insurgentes do EI que ameaçavam a represa de Haditha, onde fica a segunda maior usina hidrelétrica do Iraque, na Província de Anbar, região oeste do país.

O líder de uma força paramilitar pró-governo disse que os bombardeios dizimaram uma patrulha do grupo que estava tentando tomar o local. "Os ataques foram precisos. Não houve danos colaterais. Se o EI conseguisse controlar a represa, muitas áreas do Iraque teriam sido ameaçadas, até Bagdá", disse Ahmed Abu Risha.

Caças e aviões de bombardeio destruíram cinco jipes de combate dos jihadistas, um veículo blindado, um posto de controle e também causaram danos a um bunker usado pelos rebeldes, disseram militares americanos em um comunicado.

O grupo jihadista assumiu o controle em janeiro de algumas zonas da Província de Anbar, de maioria sunita, mas intensificou seu avanço no Iraque após uma grande ofensiva lançada em 8 de junho./ AFP e REUTERS

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