Obama anuncia plano para reduzir arsenais

Horas após lançamento de foguete coreano, líder dos EUA propõe fim dos testes e outras medidas em busca de ?mundo sem armas nucleares?

Jamil Chade, PRAGA, O Estadao de S.Paulo

06 de abril de 2009 | 00h00

Em meio a uma crise internacional iniciada horas antes com o lançamento de um foguete norte-coreano que, segundo Washington, serviu de teste de um míssil de longo alcance, o presidente dos EUA, Barack Obama, apresentou ontem, em Praga, seu plano detalhado para "um mundo sem armas nucleares". Ele pretende pressionar o Congresso para que ratifique o tratado que proíbe os testes de armas nucleares, discutir com a comunidade internacional medidas para coibir a venda de material atômico num prazo de quatro anos e criar uma espécie de "banco de combustível nuclear" para estimular o desenvolvimento de energia para fins pacíficos."Assumo de forma clara e convicta o comprometimento dos EUA de buscar a paz e a segurança de um mundo sem armas nucleares", disse Obama a uma multidão de 30 mil pessoas numa praça da capital checa. "Esse objetivo não vai ser atingido com rapidez, talvez leve mais de uma geração, e exigirá paciência e persistência."RESPONSABILIDADE MORALSegundo ele, os EUA, por terem sido o único país que já usou armas nucleares, têm a responsabilidade moral de liderar esse processo. Para isso, ele apresentou ações concretas. A primeira é a redução de ogivas do arsenal estratégico americano e quer que outros façam o mesmo - ele está negociando nesse sentido com a Rússia. Obama terá problemas para ratificar o tratado que proíbe os testes de armas nucleares. O acordo foi rejeitado pelo Senado em 1999 e ainda não entrou em vigor. Coreia do Norte, Irã, Israel e China, entre outros países, ainda não assinaram o documento - ratificado por 148 países. Como forma de dificultar que as armas caiam nas mãos de terroristas, ele propõe um acordo para acabar com a produção do material usado nas ogivas. Entidades internacionais ainda ganhariam um novo orçamento para poder aumentar inspeções. Países que violem as leis, como Coreia do Norte e Irã, seriam punidos de forma severa. Mas ele deixou claro que não é ingênuo. "Enquanto essas armas existirem, nós manteremos um seguro, protegido e eficiente arsenal para deter qualquer adversário e garantir a defesa de nossos aliados." Para Obama, as armas nucleares são um legado perigoso da queda do Muro de Berlim. "A Guerra Fria acabou, mas o risco de um ataque nuclear aumentou", afirmou. DISTENSÃO ATÔMICABarack ObamaPresidente dos EUA"Assumo de forma convicta o comprometimento dos EUA de buscar a paz e a segurança num mundo sem armas nucleares""A Guerra Fria acabou, mas o risco de um ataque nuclear aumentou""Não se enganem: enquanto essas armas existirem, vamos manter um arsenal para garantir a defesa de nossos aliados"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.