Obama anuncia retirada de 10 mil soldados do Afeganistão até o fim do ano

Contingente faz parte dos 33 mil militares extras enviados pelo presidente à guerra afegã, que é cada vez mais impopular entre cidadãos americanos.

Alessandra Corrêa, BBC

22 de junho de 2011 | 21h27

Em meio a um deficit recorde no orçamento e à crescente perda de apoio popular à presença militar no Afeganistão, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou na noite desta quarta-feira um cronograma que prevê a retirada das tropas americanas em solo afegão a um ritmo mais rápido do que o esperado por analistas.

A estratégia foi detalhada em um pronunciamento na Casa Branca, transmitido ao vivo pela TV, no qual Obama confirmou que a retirada começa no próximo mês e disse que, até o fim deste ano, 10 mil soldados americanos deverão deixar o Afeganistão.

Esse contingente faz parte dos 33 mil soldados extras enviados ao país asiático por Obama no fim de 2009. Segundo o presidente, até setembro de 2012 todos esses soldados terão voltado para casa.

Os Estados Unidos têm atualmente cerca de 100 mil soldados no Afeganistão. Obama não deu detalhes, porém, sobre os planos para retirar os cerca de 68 mil restantes.

Divisões

Os Estados Unidos desejam transferir as ações de segurança para forças afegãs de maneira gradual até o fim de 2014.

No entanto, há grandes divisões dentro do governo americano sobre a rapidez com que os militares devem deixar o Afeganistão.

Alguns comandantes defendem uma redução limitada das forças americanas no país, como modo de evitar um possível retrocesso no combate ao Talebã.

A opinião pública, porém, vem demonstrando crescente rejeição à presença militar americana no Afeganistão, sentimento que aumentou ainda mais após a morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden - morto no início de maio em uma operação militar americana no Paquistão.

A pressão é agravada pela lenta recuperação econômica dos Estados Unidos, que enfrentam deficit recorde de US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 2,2 trilhões) no orçamento, o risco de ultrapassar o limite da dívida pública, que já atingiu o teto de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,7 trilhões), e a necessidade de cortar gastos.

Iniciadas há quase dez anos, após os atentados de 11 de setembro de 2001, as operações no Afeganistão custam atualmente mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 3,1 bilhões) por semana aos cofres americanos, o que tem despertado cada vez mais críticas, tanto de republicanos quanto de democratas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.