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Obama anunciará nova política dos EUA para cidadãos sequestrados no exterior

Novas diretrizes acabarão, com os processo judiciais para famílias que pagarem resgate; governo também facilitará comunicação entre parentes das vítimas e os sequestradores

O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2015 | 10h39

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciará nesta quarta-feira, 24, mudanças nas medidas adotadas nos casos de sequestros de americanos no exterior. A partir de agora, o governo não iniciará processos judiciais contra as famílias que pagarem o resgate pedido pelos sequestradores.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, afirmou na terça-feira que o resultado da revisão sobre o tema ordenada por Obama no ano passado seria revelado nesta quarta através de um relatório com novas recomendações e de uma ordem executiva assinada pelo presidente. Obama também deve fazer um discurso para explicar as mudanças depois que ele se encontrar com parentes de americanos que foram mantidos reféns no exterior. 

A casa branca convidou as famílias de 82 americanos feitos reféns no exterior desde 2001 para participar da cerimônia de revisão. Destas, 24 devem comparecer ao evento.

Como parte das recomendações feitas após a análise dos procedimentos sobre o tema, Obama deve anunciar a criação de uma "célula conjunta" de recuperação de reféns que coordenará múltiplas agências governamentais envolvidas nestes tipos de caso.

Entre os detalhes da revisão adiantados pela imprensa americana está a decisão de não perseguir judicialmente as famílias que paguem resgate, apesar de o governo manter a política de longa data de não fazer concessões aos sequestradores.

De acordo com fontes do governo com conhecimento sobre as mudanças, a nova política do governo sobre reféns também permitirá que os EUA facilitem a comunicação entre os parentes de um americano mantido refém e seus sequestradores. No entanto, a proibição de o governo pagar diretamente os resgates continua valendo.

"A política de não fazer concessões aos terroristas não esteve sob revisão", destacou Earnest. O porta-voz disse ainda que Obama segue acreditando que pagar resgate a uma organização terrorista que mantém um americano refém significa financiar o grupo para continuar cometendo crimes, o que colocaria outros americanos em risco de ser sequestrado no exterior.

A revisão dos procedimentos do governo sobre o tema foi ordenada por Obama em meados do ano passado em razão do aumento de sequestro de cidadãos americanos em outros países, em particular, após os casos de reféns sob ameaça do Estado Islâmico (EI), que depois foram decapitados.

Duas fontes ouvidas pela Associated Press afirmaram que a lei que considera crime o envio de dinheiro ou outro bem para organizações terroristas não será formalmente alterada. No entanto, o governo tomará medidas para garantir que o Departamento de Justiça não processe aqueles que pagarem resgates.

Desde o ano passado, quatro americanos foram mortos pelo Estado Islâmico: os jornalistas James Foley e Steven Sotloff, e os agentes humanitários Peter Kassig e Kayla Mueller. Após a divulgação de imagens mostrando a decapitação de alguns eles - e de reféns de outras nacionalidades -, Obama conseguiu autorização para que os EUA liderassem a coalizão internacional que bombardeia posições do EI na Síria e no Iraque.

Exceção. Os EUA dizem que a lei que proíbe negociações do governo ou pessoas com terroristas tem como objetivo evitar novos sequestros e bloquear o envio de dinheiro para esses grupos. No entanto, a administração Obama negociou com o Taleban, no ano passado, a libertação do sargento do Exército Bowe Bergdahl, que havia sido capturado depois de deixar seu posto no Afeganistão.

Cinco suspeitos presos na prisão de Guantánamo foram soltos como condição para que Bergdahl fosse libertado. Funcionários da Casa Branca disseram que essa negociação foi autorizada porque Obama vê uma responsabilidade especial de não deixar nenhum soldado americano trás no campo de batalha.

Elaine Weinstein, cujo marido Warren Weinstein foi morto acidentalmente por um ataque com drone dos EUA, em abril, enquanto era mantido como refém pela Al-Qaeda, afirmou na terça-feira ser contra essas distinções entre cidadãos dos EUA feitas pelo governo.

 

"As pessoas que sequestram cidadãos americanos que trabalham no exterior não discriminam com base em seu trabalho ou empregador, e o governo também não deveria fazer isso", disse Weinstein em um comunicado. / EFE e AP

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