Obama apresenta sua reforma da imigração

Presidente dos EUA anuncia plano para modificar a atual legislação e facilitar a legalização de 11 milhões de clandestinos que vivem no país

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2013 | 02h05

O presidente dos EUA, Barack Obama, cumpriu ontem uma promessa feita em suas duas campanhas eleitorais ao apresentar seu projeto de reforma das leis de imigração. Embora em linha com a proposta de um grupo de senadores republicanos e democratas anunciado no dia anterior, o projeto de Obama facilita ainda mais a legalização dos 11 milhões de imigrantes indocumentados e põe menos ênfase na segurança das fronteiras.

"Um amplo consenso está sendo formado. Chegou a hora de uma reforma ampla e justa da lei de imigração", afirmou Obama, em meio a aplausos dos estudantes de escola secundária de Las Vegas. "Minhas propostas foram aprovadas por Ted Kennedy (ex-senador democrata) e George W. Bush (ex-presidente republicano). Há fundamento bipartidário. O Congresso deve agir nesse sentido."

Apesar do apelo de Obama, o presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, colocou um limite ao conteúdo da lei a ser aprovado pela Casa, dominada pelos republicanos. "Há muitas ideias sobre como melhor consertar as falhas de nosso sistema de imigração. Qualquer solução deve se dar de forma bipartidária e eu espero que o presidente seja cuidadoso para não arrastar o debate para a esquerda."

A reforma proposta por Obama pouco difere da apresentada pelo grupo de oito senadores. Ambas demandam o registro de todos os imigrantes ilegais que pretendam continuar no país e mantêm a política de deportações dos que apresentarem antecedentes criminais. O primeiro passo será a obtenção do status legal provisório. Depois, o status de residente permanente ou Green Card. A última etapa será a obtenção da cidadania.

Esses passos estarão abertos para os filhos e cônjuges de imigrantes em situação legal para acabar com a separação de famílias. A regra será válida igualmente para os casais homossexuais. Essa é a diferença mais evidente entre o projeto de Obama e dos senadores.

Jovens trazidos por seus pais aos EUA terão seus processos de legalização facilitados se estiverem em escolas de nível superior ou nas Forças Armadas. O direito à legalização fora conferido a essa parcela de imigrantes no ano passado, por meio de decreto presidencial. Estudantes estrangeiros também serão beneficiados por um trâmite mais rápido de seus pedidos de residência no país, assim como investidores. "Uma em cada quatro companhias de tecnologia foi fundada por imigrantes", argumentou Obama, para, em seguida, citar o caso do Instagram, criado pelo brasileiro Mike Krieger.

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