Obama apressa saída do Afeganistão

Grupo de 10 mil militares dos EUA deve deixar território afegão este ano e outros 20 mil sairão até setembro de 2012; plano, que prevê o fim da missão para 2014, é mais ambicioso do que esperavam comandantes militares e políticos conservadores

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem a retirada de 10 mil soldados americanos do Afeganistão até o final do ano e de mais 23 mil até setembro de 2012. O novo plano é mais ambicioso do que o esperado, especialmente para comandantes militares e facções conservadoras dos dois partidos americanos, e manteve a retirada total dos soldados em 2014.

O contingente que deve deixar o país até o fim do ano é equivalente ao enviado por ordem de Obama, em dezembro de 2009, para reforçar o combate ao Taleban e a seus aliados da Al-Qaeda. A retirada de 33 mil soldados significa a permanência de cerca de 70 mil militares americanos no Afeganistão na campanha de reeleição de Obama, entre setembro e novembro de 2012.

"Estamos anunciando essa retirada em uma posição de força", afirmou Obama, para logo em seguida enfatizar os ganhos obtidos no combate à Al-Qaeda. "Não tentaremos fazer do Afeganistão um lugar perfeito."

Os soldados deverão retornar para as suas bases de origem nos EUA e na Europa, em um claro sinal de que permanecerão mobilizados para rápido deslocamento. Os números foram antecipados ontem pela Casa Branca antes do pronunciamento de Obama.

A decisão de retirar 30 mil soldados até 2012 está em linha com a maior ênfase em operações como à que matou Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda. A nova aposta está sustentada no sucesso dos ataques de aviões não tripulados e de operações contra líderes da Al-Qaeda. Apenas 10 dos 30 identificados no final do ano passado estão vivos.

Obama manteve três reuniões com sua equipe de Segurança Nacional nesta semana até decidir-se sobre a fórmula de retirada. Sua escolha favoreceu a posição do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, defensor de um menor engajamento do país no Afeganistão.

Entretanto, o general David Petraeus, comandante das forças dos EUA no Afeganistão e futuro diretor da CIA, e Robert Gates, atual secretário de Defesa, se opuseram. Ambos defendem a retirada de um contingente menor, dados os resultados ainda frágeis.

Para Lawrence Korb, diretor do Center for American Progress, Obama enfrentará problemas com os militares ao adotar seu novo plano. Especialmente porque Petraeus mantém contatos políticos importantes e continuará no comando das forças no Afeganistão até setembro. Obama enfrentará ainda resistências da facção mais liberal dos democratas, que esperava uma retirada bem maior. "Ele tomou a decisão política mais acertada. Mas, do ponto de vista estratégico, ainda haverá dúvidas", avaliou.

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