Saul Loeb/AFP
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Obama arrecada US$ 86 milhões em apenas 95 dias

Eleição será só em novembro de 2012, mas agenda de candidato do presidente já mobiliza doadores do Partido Democrata

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Em apenas 95 dias de sua campanha para a reeleição, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, arrecadou US$ 86 milhões em doações. A eleição ocorrerá somente em novembro de 2012. Mas a Casa Branca saiu na frente da oposição republicana, ainda dispersa entre cerca de dez pré-candidatos.

Desde março, Obama estrela jantares e comícios fechados por todo o país para plateias desejosas em contribuir para seu segundo mandato. Sua equipe montou um esquema para alcançar até mesmo o eleitor democrata sem condições de doar mais do que US$ 5. Apenas a região de Chicago, seu berço eleitoral, espera arrecadar um total de US$ 1 bilhão. A informação foi divulgada pelo gerente da campanha Obama 2012, Jim Messina, dois dias antes de um relatório com 15 mil páginas sobre as arrecadações do Comitê Nacional Democrata e da organização Obama para a América ser enviado ao governo e exposto pela internet, conforme as regras eleitorais do país.

O total arrecadado é superior aos US$ 35 milhões coletados até agora por todos os pré-candidatos republicanos. Também superou a marca do ex-presidente George W. Bush, de US$ 50,1 milhões, em período equivalente de sua campanha pela reeleição, em 2004. "É um resultado monumental", afirmou Messina.

Nos últimos três meses, as viagens de Obama pelos EUA multiplicaram-se e, em cada parada, ele discursou em típicos jantares de arrecadação de doações. Por meio de e-mails, sua campanha oferece a participação do eleitor que doe mais de US$ 5 em um sorteio. O prêmio é uma passagem aérea para Washington e um jantar com Obama e o vice-presidente, Joe Biden, na Casa Branca. A Justiça Eleitoral não impõe restrições a esse tipo de atitude do candidato, nem a oposição reclama de tal artifício.

Segundo Messina, 552,5 mil pessoas já contribuíram para a campanha de reeleição, com uma média de US$ 69 - uma contribuição mais magra do que durante a campanha de 2008. Na ocasião, o então candidato democrata arrecadou o recorde de US$ 745 milhões.

Lobbies. As doações acima de US$ 250 terão de ser reportadas amanhã à Comissão Federal de Eleição. Conforme informou, a campanha de Obama não receberá dinheiro dos chamados Comitês de Ação Política - organizações privadas com a finalidade de arrecadar e doar recursos para campanhas eleitorais - nem de lobbies empresariais, regularizados nos EUA.

Apesar do grande número de pequenas doações, Chris Arterton, professor da George Washington University, acredita que grande parte do total das doações de campanha virá de grandes doadores. Em 2008, 42% das doações foram feitas por pessoas que deram US$ 1.000 ou mais.

Nas contas de Messina, o candidato republicano à eleição de 2012 deverá arrecadar e gastar mais de US$ 500 milhões. Dos cerca de dez pré-candidatos do partido, dois caíram fora da disputa - o ex-governador do Arkansas, Mike Huckabee, e o deputado federal Ron Paul, do Texas.

Nas últimas semanas, a representante da ala da direita mais radical (Tea Party), Michele Bachmann, despontou nas pesquisas de opinião. Seus principais adversários continuam a ser os moderados Jon Huntsman, ex-embaixador de Obama em Pequim, e Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts. Ambos são mórmons.

Principal pré-candidato republicano, Romney conseguiu levantar US$ 18,25 milhões de abril a junho. Os outros republicanos que pretendem disputar a candidatura à Casa Branca conseguiram obter entre US$ 4 milhões e US$ 4,5 milhões.

Michele Bachmann disse que vai anunciar ainda esta semana o total obtido por sua campanha. O porta-voz do Comitê Nacional Republicano, Sean Spicer, criticou Obama por pressionar por doações para sua campanha enquanto a economia dos EUA ainda está cambaleante. Obama vem travando uma batalha com os republicanos no Congresso para alcançar um acordo que permitiria ao governo pagar suas contas depois de 2 de agosto, quando o Tesouro americano atingirá um teto de US$ 14,3 trilhões da dívida federal.

Pesquisa divulgada ontem pela Quinnipiac University, de Connecticut, mostra que Romney tem a preferência de 25% dos republicanos. Ele é seguido por Bachmann, com 14%, e pela ex-governadora do Alasca e líder do Tea Party, Sarah Palin, com 12%. Nenhum dos republicanos listados conseguiu superar Obama, que tem a preferência de 50% do eleitorado. / COM REUTERS

PARA LEMBRAR

Primárias só em fevereiro

As primárias dos dois maiores partidos americanos, processo que escolherá os candidatos democrata e republicano à presidência dos EUA, começam apenas em fevereiro do ano que vem. Para enfrentar a maratona, porém, os dois lados precisam se mexer cedo para financiar as campanhas. O presidente Barack Obama, que arrecadou mais de US$ 700 milhões na eleição passada, saiu na frente. Seu comitê já abriu 60 escritórios em diferentes cidades americanas e organizou mais de 650 sessões em todos os 50 Estados para arrecadar fundos. As primeiras primárias estão marcadas para o dia 6 de fevereiro, no Estado de Iowa. A oficialização da candidatura democrata - provavelmente a confirmação do nome de Obama - será feita na convenção do partido, no dia 3 de setembro de 2012, na Carolina do Norte. A homologação de seu adversário será na convenção republicana, marcada para 27 de agosto de 2012, em Tampa, Flórida.

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