Obama assina lei que destina US$ 600 milhões para a fronteira mexicana

Dinheiro será usado para reforçar segurança, com contratação de agentes.

Alessandra Corrêa, BBC

13 de agosto de 2010 | 16h42

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sancionou nesta sexta-feira uma lei autorizando a liberação de US$ 600 milhões (cerca de R$ 1,06 bilhão) para reforçar a segurança na fronteira com o México.

A medida havia sido aprovada na quinta-feira pelo Senado, depois que democratas e republicanos interromperam seu recesso de verão e chegaram a um acordo para votar o projeto.

Os recursos serão destinados à contratação de mil agentes para patrulhar a fronteira e à compra de equipamentos de comunicação e vigilância que permitirão, inclusive, a realização de voos não-tripulados para verificar a região.

Também serão contratados 250 agentes para atuar nos setores de imigração e alfândega.

O objetivo das medidas é coibir o fluxo de imigrantes ilegais e o tráfico de drogas na fronteira, em meio ao crescente debate sobre o tema da imigração no país, que deve ganhar ainda mais destaque à medida que se aproximam as eleições legislativas de novembro.

A expectativa, segundo o governo, é de que demore em torno de oito meses até que os novos agentes sejam treinados e enviados para a fronteira.

México

Obama assinou a lei em uma cerimônia no Salão Oval da Casa Branca, ao lado da secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano.

"Essa nova lei vai fortalecer nossa parceria com o México no combate a gangues e organizações criminosas que operam em ambos os lados de nossa fronteira comum", disse o presidente em um comunicado na quinta-feira, após a aprovação da medida pelo Congresso.

Em maio, em visita aos Estados Unidos, o presidente mexicano, Felipe Calderón, já havia feito um apelo para que os dois países atuassem conjuntamente no combate aos problemas na fronteira.

A violência relacionada ao tráfico de drogas é um dos principais desafios enfrentados pelo governo mexicano, e crescem nos Estados Unidos os temores de que gangues estejam cada vez mais ativas do lado americano da divisa.

Reforma

O tema da imigração ilegal também tem provocado polêmica nos Estados Unidos, principalmente depois que o Arizona anunciou uma nova lei que torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais. Um dos argumentos dos defensores da lei é a falta de segurança na fronteira com o México.

A lei provocou protestos e foi contestada na Justiça, mas diversos Estados americanos estudam adotar legislações semelhantes, e pesquisas de opinião revelam que a maioria dos americanos é favorável a medidas desse tipo.

Nesta semana, a Flórida anunciou que avalia a adoção de uma lei "ainda mais dura" que a do Arizona.

O destino dos mais de 11 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos é um dos principais problemas enfrentados pelo governo americano.

Obama já disse várias vezes que o sistema de imigração do país está falido e precisa de uma reforma, o que era uma de suas promessas de campanha.

No entanto, a reforma sofre resistência da oposição republicana no Congresso, e poucos acreditam que seja possível aprovar alguma medida antes das eleições de novembro.

"Essas medidas (sancionadas nesta sexta-feira) farão uma grande diferença, enquanto meu governo continua a trabalhar com o Congresso em busca de uma reforma das leis de imigração ampla e bipartidária, para garantir a segurança das nossas fronteiras e restaurar a responsabilidade de nosso sistema de imigração quebrado", disse Obama no comunicado.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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