Obama atenua relevância de dados contidos em documentos vazados

Presidente americano afirma que entre os 92 mil relatórios militares sigilosos divulgados no domingo pelo site WikiLeaks, não havia nenhuma informação que não havia se tornado conhecida ou debatida publicamente antes da divulgação

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

 Plano mantido. Obama deixa coletiva na qual destacou que política para Afeganistão continua    

 

 

 

CORRESPONDENTE/ WASHINGTON

Dois dias depois do vazamento de 92 mil documentos militares secretos sobre a guerra no Afeganistão, o presidente dos EUA, Barack Obama, declarou ontem que o material "não revelou nada que não tenha sido antes informado ou publicamente debatido".

Numa tentativa de mudar o eixo das discussões, Obama insistiu que a estratégia americana não vai mudar e pressionou os líderes do Congresso a aprovarem a suplementação de verba de US$ 37 bilhões para as tropas americanas no Afeganistão e no Iraque (mais informações nesta página).

O vazamento foi comparado ao escândalo dos Papéis do Pentágono, a divulgação de um conjunto de 14 mil páginas de documentos ultrassecretos sobre a Guerra do Vietnã, em 1971, levou o então presidente, Richard Nixon, a dar início a uma batalha judicial para impedir sua publicação pelo jornal The New York Times ? que divulgou as informações com base em liminares. O escândalo minou o já frágil apoio ao esforço de guerra.

O escândalo atual envolve a apresentação de provas documentais de que o principal aliado dos EUA, o Paquistão, conduz um jogo duplo e Washington estava ciente disso.

De um lado, o Paquistão cooperava com os EUA no controle de sua fronteira com o Afeganistão e recebia em troca US$ 1 bilhão por ano.

Na semana passada, mais US$ 500 milhões foram desembolsados durante a visita da secretária de Estado, Hillary Clinton, à região. De outro lado, a agência paquistanesa de inteligência ajudava o Taleban a planejar ataques a tropas americanas e líderes afegãos.

Os documentos cobriram o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2009 ? portanto, o primeiro ano de mandato de Obama. Mostraram ainda que o número de vítimas civis no Afeganistão supera o dado oficial e evidencia que as forças americanas criaram um comando secreto com a missão de liquidar 70 líderes insurgentes. Conforme indicou Obama ontem, esses e outros fatos foram considerados na formulação da estratégia que está em vigor.

"Os documentos apontam para os mesmos desafios que nos levaram a uma extensa revisão na nossa política no outono passado", afirmou Obama, referindo-se à estratégia para o Afeganistão lançada em dezembro de 2009 e atualmente em vigor.

"Essa legislação (de suplementação de verba) é um importante passo na direção correta. Mas eu quero enfatizar isso: esse será apenas o primeiro passo", completou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.