Obama atrai a desconfiança de eleitores judeus

Para eles, senador ainda não demonstrou apoio irrestrito a Israel e tende a favorecer árabes

Jodi Kantor, The New York Times, Boynton Beach, EUA, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2008 | 00h00

No domingo, no clube de campo de Aberdeen, as fontes borbulhavam, os lagos artificiais brilhavam e Shirley Weitz e Ruth Grossman discutiam por que os judeus desse condomínio de aposentados estavam tão alarmados com Barack Obama. "As pessoas aqui são liberais, mas não votarão em Obama por causa da atitude dele em relação a Israel", disse Shirley, de 83 anos. "Elas pretendem votar em McCain." Ruth Grossman, de 80 anos, concordou com a amiga, mas não com o seu raciocínio. "Eles vão se apegar ao caso do pastor, vão criticar a mulher dele, mas o grande problema é a cor", disse, enquanto tomava seu café. As duas estão pensando em votar em Obama, que lidera a contagem de delegados para a nomeação democrata. Mas Ruth não diz nada aos vizinhos. "Mantenho a boca fechada." Ontem, Obama visitou a sinagoga de Boca Raton, na Flórida. Os judeus são importantes por terem um alto índice de comparecimento às urnas. Para os democratas, a Flórida é o Estado mais assustador do mapa eleitoral. Foi lá que perderam, por causa de algumas centenas de votos, em 2000 e em 2004. "O destino do mundo será decidido nos próximos quatro anos", refletia o rabino Rubi New, após sua aula de cabala em Boca Raton. "Tudo vai se resumir aos votos de alguns velhos judeus do Century Village", disse, referindo-se a uma comunidade de aposentados da vizinhança. Os judeus formam um dos muitos grupos que Obama precisa conquistar: latinos, mulheres, operários brancos e independentes também são cruciais. Graças ao entusiasmo de judeus jovens, ele teve 45% dos votos judaicos nas primárias. Mas, como é relativamente novo no cenário político, votou poucas vezes no Senado em apoio de Israel. CONTRASTESOs judeus americanos têm duas visões contrastantes sobre Obama, disse o rabino David Saperstein, do Centro de Ação Religiosa do Judaísmo Reformado. Há o Obama erudito, defensor da justiça social e de Israel, que conhece as preocupações dos judeus por meio de amigos próximos. A outra posição é definida pela controvérsia sobre seu ex-pastor, o reverendo Jeremiah Wright Jr., e dúvidas sobre seu apoio a Israel. Alain M. Dershowitz, professor de direito em Harvard, disse que é muito questionado por judeus sobre o que pensar de Obama. Dershowitz, que apóia Hillary Clinton, responde que Obama, Hillary e John McCain são favoráveis a Israel e judeus devem rejeitar os ataques falsos contra o democrata. Por causa da disputa sobre a mudança de data das primárias do Estado, Obama não fez campanha na Flórida. Por isso, estranhos rumores surgiram sobre ele, como os seguintes: "Obama é árabe", Jack Stern ouviu de amigos (ele não é). "Ele faz parte de uma grande comunidade palestina", suspeita Mindy Chotiner (errado). "O reverendo Wright é padrinho de suas filhas", afirmou Violet Darling (não, ele não é). "A Al-Qaeda o apóia", disse Helena Lefkowicz (incorreto). "Michelle Obama é tão hostil que foi banida da campanha", disse Joyce Rozen (falso).

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