Obama autoriza ataque a forças de segurança da Líbia

Navios dos EUA dispararam mísseis contra sistemas de defesa líbios; aviões franceses e britânicos participam do ataque.

BBC Brasil, BBC

19 de março de 2011 | 18h36

Caças franceses e britânicos participam de ataque às forças do governo líbio

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste sábado à imprensa americana que autorizou ação militar americana contra as forças de segurança da Líbia. Navios de guerra americanos dispararam mísseis contra o sistema de defesa aérea do governo Muamar Khadafi.

Aviões militares franceses e britânicos também sobrevoam a Líbia para colocar em efeito a zona de exclusão aérea autorizada na última quinta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU.

Em visita oficial ao Brasil, Obama disse que os Estados Unidos estavam começando "uma ação militar limitada" como parte de uma "grande coalizão".

"Não podemos ser negligentes quando um tirano diz a seu povo que não haverá misericórdia", disse.

Obama garantiu que os Estados Unidos não enviarão tropas terrestres ao país.

Um porta-voz do Pentágono afirmou que mais de 100 mísseis foram disparados em cerca de 20 alvos militares na Líbia. A intenção, segundo ele, é prevenir ataques em civis líbios e diminuir a capacidade do governo de Khadafi de resistir à zona de exclusão aérea imposta pela ONU.

Um submarino britânico também disparou diversos mísseis contra a defesa aérea líbia, segundo o Ministério da Defesa da Grã-Bretanha.

Minutos antes, o primeiro-ministro David Cameron confirmou que aviões britânicos estão no país e disse que a ação militar contra a Líbia é "necessária, legal e correta".

A televisão estatal da Líbia disse que a capital do país, Trípoli, está sob ataque de bombas que disse virem de "inimigos cruzados", uma referência ao oeste. Segundo a emissora, houve alvos civis.

Fontes em Trípoli disseram à BBC que os ataques em Trípoli até agora atingiram a região leste da cidade, onde acredita-se que estão bases militares.

Aviões

Horas antes, caças franceses Rafale deram início aos ataques aéreos na Líbia, destruindo diversos tanques e veículos militares blindados das forças pró-Khadafi, segundo o Ministério da Defesa da França.

De acordo com o Ministério, cerca de 20 aviões militares franceses participam das operações na Líbia. O porta-aviões Charles de Gaulle deverá chegar no domingo ao país.

Em entrevista ao canal de TV France 2, o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, declarou que "os ataques vão continuar nos próximos dias, até que o regime líbio cesse a violência contra sua população".

Juppé também descartou qualquer intervenção militar terrestre, como prevê a resolução da ONU, e afirmou que o objetivo da coalizão internacional "é permitir ao povo líbio escolher o seu regime".

Sinal verde

Na quinta-feira, a ONU adotou a resolução 1.973, que instaura uma zona de exclusão aérea na Líbia para proteger os civis de bombardeios e autoriza os Estados membros a tomarem "todas as medidas necessárias" para proteger os civis dos ataques, excluindo a possibilidade de envio de forças de ocupação estrangeiras.

"Nossas forças irão se opor a todas as agressões", disse o presidente francês Nicolas Sarkozy. "Nossa determinação é total", acrescentou o líder francês.

O presidente afirmou que "todos os meios necessários, particularmente militares serão aplicados para garantir o respeito das decisões do Conselho de Segurança da ONU".

Khadafi, no poder há 40 anos, anunciou um cessar-fogo na sexta-feira, mas desde o princípio os rebeldes e líderes da comunidade internacional se mostraram reticentes em relação ao anúncio.

Neste sábado, a reportagem de BBC em Benghazi testemunhou a entrada de tanques das forças do coronel Muamar Khadafi entraram na cidade.

Por volta das 9h da manhã do horário local, um avião caça foi atingido, pegou fogo e caiu sobre a cidade em um movimento dramático.

A violência em Benghazi fez com que centenas de carros deixassem a cidade em direção à fronteira com o Egito, ainda mais ao leste do país. Outros tentam fugir a pé.

A agência de refugiados da ONU, Acnur, diz que está se preparando para receber 200 mil pessoas que tentam se afastar dos combates.

Críticas

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que lamenta a decisão das potências ocidentais de realizarem uma ação militar na Líbia. O governo russo também pediu por um cessar-fogo na Líbia assim que possível.

Antes, o coronel Muamar Khadafi disse que a resolução da ONU sobre a zona de exclusão aérea é "inválida".

O presidente venezuelano Hugo Chávez também condenou a ação militar internacional na Líbia e a chamou de "irresponsável".

Já o premiê italiano, Silvio Berlusconi, disse que as bases italianas estão disponíveis para serem usadas na operação para a imposição da zona de exclusão aérea na Líbia.

'Hora de agir'

Com a popularidade baixíssima nas pesquisas de opinião na França, o presidente Sarkozy, que reconheceu ter minimizado a importância dos levantes populares na Tunísia e no Egito, quis tomar a dianteira na crise líbia.

Analistas creem que o país de Sarkozy deve liderar a operação na Líbia ao lado da Grã-Bretanha.

Sarkozy e Cameron: Analistas creem que liderança de operação será europeia

Ao fim da reunião em Paris, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, acusou Khadafi de desrespeitar o cessar-fogo anunciado pelo seu governo e pôs sobre líder líbio a responsabilidade pela ação militar europeia.

"O coronel Khadafi fez isto acontecer, porque mentiu para a comunidade internacional. Ele prometeu um cessar-fogo e quebrou o cessar-fogo. É hora de agir", disse Cameron à BBC.

Ele acrescentou que a necessidade de ação militar é "urgente".

"Temos de pôr em ação o desejo das Nações Unidas. Não podemos permitir que continue o massacre de civis."

A coalizão de forças é formada também pelos Estados Unidos, Canadá e diversos países europeus e árabes.

* Com reportagem de Ian Pannell, em Benghazi, e informações da BBC BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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