Obama autoriza ataques contra grupo islâmico no Iraque

Presidente dos EUA tenta interromper avanço do Isil e levar ajuda humanitária a grupos sitiados no norte iraquiano

CLAUDIA TREVISAN, CORRESPODENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2014 | 23h45

O presidente Barack Obama autorizou nesta quinta-feira, 7, ataques aéreos no Iraque, caso sejam necessários, para defender funcionários americanos que estão no país ou romper o isolamento de milhares de pessoas sitiadas pelo Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês), que assumiu o controle da maior hidrelétrica do país. Citando o risco de genocídio, ele confirmou que aviões dos EUA lançaram ajuda humanitária com paraquedas a milhares de pessoas no nordeste do país. 

Segundo assessores da Casa Branca, Obama decidiu dar sinal verde a eventuais bombardeios no Iraque depois do rápido avanço do Isil. Os militantes ganharam terreno na região controlada pelos curdos e se aproximaram da cidade de Irbil, onde há um consulado dos EUA. Antes do pronunciamento de Obama, a rede CNN havia divulgado informação segundo a qual cerca de 40 conselheiros militares americanos estariam na cidade, que é a capital da província curda. 

O rápido avanço do Isil foi marcado por “muita” precisão e “competência militar”, segundo assessores de Obama. Para eles, a ofensiva demanda uma resposta com elevado nível de sofisticação. “Pretendemos nos manter vigilantes e agir caso essas forças terroristas ameacem nosso pessoal ou instalações em qualquer lugar no Iraque, incluindo nosso consulado em Irbil e nossa embaixada em Bagdá”, disse Obama.“Devemos atuar de forma responsável para evitar um genocídio”, afirmou o presidente.

Se os ataques ocorrerem, serão a primeira incursão militar dos EUA no Iraque desde a saída de tropas do país em 1.º de janeiro de 2012, depois de uma guerra que durou nove anos. O encerramento do conflito foi uma das principais promessas de campanha de Obama, que chegou à Casa Branca em 2009.

O governo americano deixou claro que qualquer ataque aéreo será limitado, com alvo preciso e não envolverá a entrada de soldados em território iraquiano. 

Sem acesso a água e alimentos, o grupo isolado em montanhas próximas da cidade de Sinjar enfrenta uma crise que já provocou a morte de 40 crianças, segundo a ONU. Muitos dos refugiados pertencem à minoria yazidi – considerada herege pelo Isil – e fugiram quando os militantes avançaram sobre Sinjar no fim de semana.

Os militantes do Isil são sunitas radicais que ameaçam de morte todos os que não se converterem a sua linha do islamismo. O objetivo do grupo é formar um califado em um território que cruza a fronteira entre a Síria e o Iraque.

A ajuda humanitária foi lançada por dois aviões americanos, que foram escoltados por caças. Os assessores da Casa Branca informaram que foram entregues água e alimentos suficientes para 8 mil pessoas. Operações semelhantes podem se repetir nos próximos dias. 

Obama enfrenta pressão crescente para intervir militarmente no conflito e ajudar o governo do primeiro-ministro iraquiano, Nuri Maliki, a conter o avanço dos radicais sunitas. 

Os EUA perderam cerca de 4.400 soldados no Iraque, em um confronto que custou ao país pelo menos US$ 1 trilhão – o valor real pode chegar a US$ 1,7 trilhão, se incluídos gastos médicos com veteranos. 

Obama gostaria de ter deixado tropas no país depois de declarar o fim oficial da guerra, mas não conseguiu chegar a um acordo com o governo de Bagdá sobre uma questão crucial: a garantia de que os militares americanos não estariam sujeitos às leis iraquianas.

Esse é um dos pontos do pacto que os EUA tentam fechar com o Afeganistão para permitir que 9,8 mil soldados permaneçam no país após o fim dos combates, em dezembro.

Em 13 de junho, três dias depois de o Isil tomar a segunda maior cidade iraquiana, Obama anunciou que estudava opções para apoiar Bagdá, mas condicionou qualquer ajuda a mudanças políticas que ampliassem a representatividade do governo, com a inclusão no poder de sunitas, curdos e outros grupos.. 

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