Obama autoriza envio de mais 1,5 mil soldados americanos ao Iraque

Obama autoriza envio de mais 1,5 mil soldados americanos ao Iraque

Também haverá expansão das regiões de atuação das tropas, hoje confinadas às imediações das cidades de Bagdá e Irbil

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2014 | 21h07



WASHINGTON - Os Estados Unidos enviarão mais 1.500 soldados ao Iraque para treinar forças locais que combatem o Estado Islâmico (EI), mais que dobrando sua presença militar no país de onde havia se retirado em 2011. Também haverá expansão das regiões de atuação das tropas, hoje confinadas às imediações das cidades de Bagdá e Irbil, em um claro aprofundamento da ação americana no combate ao grupo extremista.

A Casa Branca fez o anúncio depois de almoço do presidente Barack Obama com líderes republicanos e democratas, na primeira reunião com os parlamentares desde a devastadora derrota sofrida pelo governo nas eleições de meio de mandato de terça-feira. Obama disse que pedirá ao Congresso a liberação de US$ 5,6 bilhões adicionais para financiar a campanha contra o EI.

O fim da guerra do Iraque foi uma das principais promessas de campanha do presidente, que assumiu o cargo em 2008, mas o avanço do grupo extremista arrastou os americanos de volta ao país. Obama resistiu a intervir e foi tímido em sua reação inicial, com o envio de 300 militares ao Iraque em junho. O número subiu gradativamente desde então e passará a 2.900 nos próximos meses, quase dez vezes o contingente inicial.

Em agosto, Obama autorizou ataques aéreos contra posições do Estado islâmico nas proximidades de Irbil e Bagdá, com o objetivo de proteger funcionários americanos e minorias religiosas ameaçadas pelo EI. Os bombardeios foram expandidos para Síria em setembro, quando já estava claro que a contenção e eventual destruição do grupo haviam se tornado os alvos dos bombardeios.

O Pentágono afirmou que os soldados não se engajarão em missões de combate e se concentrarão no treinamento e orientação de tropas iraquianas e curdas, que combatem os extremistas na região de Irbil.

Além de dois centros operacionais nesta cidade e Bagdá, os americanos atuarão em “vários locais” no Nordeste, Sudeste e Oeste de Iraque, nos quais serão treinadas nove brigadas iraquianas e três curdas. Segundo o Pentágono, o esforço contará com a participação dos países integrantes da coalizão que combate o EI.

O secretário de Defesa, Chuck Hagel, disse que a decisão foi adotada em resposta a pedido apresentado pelo governo do Iraque e com base na avaliação da situação local e do progresso feito pelas forças iraquianas. Citando fontes do Pentágono, a emissora CNN afirmou que o aumento de tropas tenta suprir deficiências de inteligência que reduzem o impacto dos bombardeios aéreos, em razão da ausência de informações sobre a movimentação dos extremistas.

Hagel participou do encontro de Obama com os líderes partidários, no qual foram discutidas as ações contra o EI. Os republicanos defendem uma política externa mais agressiva e são favoráveis à intensificação das ações contra o grupo extremista, mas defendem a elaboração de uma estratégia mais ampla.

Além das ações de combate ao EI, os dois lados tentaram identificar potenciais temas de consenso, que possam reduzir a paralisação política de Washington e levar à aprovação de propostas legislativas.

As eleições de terça-feira deram aos republicanos o controle do Senado e ampliaram a maioria do partido na Câmara dos Representantes. O resultado representou um revés para os democratas e Obama, que governará com um Congresso opositor nos seus dois últimos anos de mandato.

Antes do encontro, Obama declarou que vê possibilidade de colaboração com a oposição na realização de uma reforma tributária, reconstrução de infraestrutura e redução do déficit fiscal de maneira que não comprometa investimentos. 

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