Obama autorizará envio de até 30 mil soldados ao Afeganistão

Segundo 'The Wall Street Journal', anúncio será feito nesta semana; EUA devem mudar estratégia no país asiático

Agências internacionais,

04 de fevereiro de 2009 | 09h12

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, autorizará esta semana o envio de entre 20 mil e 30 mil soldados a mais ao Afeganistão, informa o diário The Wall Street Journal nesta quarta-feira, 4. Segundo as fontes do Pentágono citadas pelo jornal nova-iorquino, espera-se que estes reforços estejam todos mobilizados até meados do ano. Com isso, o contingente americano, que atualmente conta com cerca de 36 mil efetivos, chegará a ficar com entre 56 mil e 66 mil. O posicionamento se concentrará na conflituosa fronteira com o Paquistão, no leste do país e nas áreas de cultivo de ópio, como a bacia do rio Helmand, no sul. O comandante das forças americanas no sul do Afeganistão, o general-de-brigada John Nicholson, disse ao jornal que colocarão "as tropas para proteger a população, vamos até onde está o povo". O comandante no leste do Afeganistão, o major-general Jeffrey Schloesser, disse que têm intenção de "reforçar as linhas em Kunar", província fronteiriça com o Paquistão, onde "poderemos chegar até alguns povos aos quais ainda não chegamos".  Estratégia no Afeganistão Em reuniões com o presidente Barack Obama, a alta cúpula do Pentágono vem alertando para a necessidade de uma mudança de rota no Afeganistão. Os militares mais graduados devem apresentar em breve um relatório dizendo que a estratégia no país deve se concentrar em assegurar estabilidade regional e eliminar santuários da Al-Qaeda no Paquistão, em vez de construir uma democracia sólida e uma economia próspera no Afeganistão. Há o medo entre analistas de que a presença americana em território afegão se transforme no Vietnã de Obama, no qual será impossível "vencer". "O governo está se adaptando à realidade de que será muito difícil conseguir ajuda dos europeus para qualquer coisa, principalmente para operações militares, então eles estão adaptando a missão no Afeganistão e reduzindo as ambições", disse ao Estado um funcionário do Departamento de Estado americano. No entanto, a "escalada de tropas" - estratégia que funcionou no Iraque - não é uma panaceia, dizem analistas. Embora o Pentágono vá seguir a abordagem de se aliar a parte dos insurgentes como forma de dividir o inimigo, da mesma maneira que fez no Iraque, isso pode significar se aliar a facções mais moderadas do Taleban para isolar a Al-Qaeda. Negociar com o Taleban e ignorar as violações do grupo, porém, é uma estratégia difícil de engolir para uma parcela do governo. O secretário da Defesa, Robert Gates, vem alertando para o perigo de os EUA se enterrarem em uma guerra sem fim no Afeganistão - e para a necessidade de definir de forma bastante estreita o objetivo da presença americana no país. "Precisamos ter muito cuidado ao definir nossos objetivos no Afeganistão", disse Gates, na semana passada. "Se tivermos o objetivo de criar uma espécie de paraíso lá, vamos perder, porque ninguém no mundo tem tempo, paciência ou dinheiro para conseguir isso." O governo Obama acha que os objetivos estabelecidos na administração de George W. Bush eram amplos e ambiciosos demais. O Afeganistão está vivendo a situação mais grave desde 2001, segundo relatório semestral do Pentágono encaminhado ao Congresso na segunda-feira. A ONU aponta que houve mais de 2,1 mil civis mortos no país em 2008, diante de 1.523 em 2007 - uma alta de 40%. Na segunda-feira, comentando o relatório sobre o Afeganistão, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse que o país precisa mais de "melhor governança" do que de "tropas extras". No relatório, o governo do Afeganistão é descrito como um dos mais fracos do mundo e mergulhado em corrupção. Com Patricia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo

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