Obama busca aproximação com América Latina e defende democracia

Em discurso, presidente americano afirma que 'todos os parceitos da região são iguais'

estadão.com.br

21 de março de 2011 | 17h46

Obama discursa no Palácio de la Moneda no Chile. Foto: Kevin Lamarque/Reuters

 

SANTIAGO - O presidente dos EUA, Barack Obama, pregou a aproximação com a América Latina em seu discurso no Chile nesta segunda-feira, 21, e até arranhou o espanhol: "Todos somos americanos". Em cerca de 30 minutos, ele expôs as principais ideias da sua política externa para a região, assim como já havia feito em pronunciamentos na África e no Oriente Médio.

 

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A defesa da democracia e dos direitos humanos foi um dos pontos cruciais da fala de Obama, que não mencionou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, diretamente, mas alfinetou aqueles que pensam que "democracia é apenas o governo da maioria".

 

"Vamos reafirmar preceitos verdadeiros: eleições livres e justas, um Judiciário independente, a imprensa livre, militares profissionais sob controle civil.", disse Obama. Em seguida, ele acrescentou que "líderes devem manter o poder pelo consenso e não pela coerção".

 

Além desse ponto, Obama ressaltou que os EUA e a América Latina devem trabalhar como parceiros na questão da segurança, do comércio e do desenvolvimento. "Não há parceiros sênior, nem parceiros júnior na América Latina. Apenas parceiros iguais". 

 

Relevância regional. "A América Latina é mais importante do que nunca para os EUA", disse o americano. Segundo o presidente, a região deve ser reconhecida pelo mundo como dinâmica e em crescimento, e que deve ocupar um novo espaço no contexto internacional.

 

Obama lembrou que a América Latina recebe três vezes mais exportações americanas do que a China e, apoiado neste dado, disse que "quando a América Latina é mais próspera, os EUA são mais prósperos". O líder americano ainda disse que, para além dos fortes elos econômicos, a região compartilha valores com os americanos por tratar-se de ex-colônias pioneiras na libertação das metrópoles. "É a região que tem mais conexões com os EUA".

 

Segurança. Obama deu grande atenção à questão da segurança, que destacou como prioritária na construção da parceria de seu país com os latino-americanos. O combate ao narcotráfico e ao contrabando de armas foi lembrado como assunto central, assim como o controle da demanda por drogas nos próprios EUA. "A responsabilidade também é nossa". O americano ainda mencionou importância da expansão das polícias comunitárias e programas de prevenção ao uso de entorpecentes na América Latina.

 

O tema da energia também mereceu a atenção do chefe de Estado americano. Ele citou o know-how sobre biocombustíveis brasileiro e a energia geotermal do Chile como experiências fundamentais para o fortalecimento da parceria entre os países americanos. Mirando o desenvolvimento regional, Obama anunciou que pretende ter 100 mil estudantes da América Latina nos EUA, e 100 mil estudantes de seu país em intercâmbio com os países do continente vizinho ao sul.

 

Falando sobre a garantia dos direitos humanos na América Latina, Obama disse que o "povo de Cuba merece a mesma liberdade que o resto das pessoas deste continente". Ele lembrou que a ditadura naquele país é mais velha do que ele próprio, e que os governantes da ilha caribenha devem ouvir ao seu povo.

 

E se no Brasil Obama encerrou seu discurso citando Paulo Coelho, no Chile ele citou o poeta Pablo Neruda: "é preciso lutar com esperança". O americano lembrou, finalmente, a mobilização em torno do resgate dos 33 mineiros que ficaram presos no Chile, como exemplo de união e liderança para a América Latina.

 

Nesta terça-feira, Obama vai para El Salvador e completa a viagem pela América Latina, após passar por Brasil e Chile. A importância política da viagem ficou, no entanto, encoberta pela crise no Oriente Médio - com a recente ofensiva contra o ditador da Líbia, Muamar Kadafi, apoiada pelos EUA e sancionada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

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