Obama busca mais peso geopolítico para EUA

Na reunião do G-8, líder pretende renovar importância do país, criticando a eleição no Irã e destacando nova posição em relação à mudança climática

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

06 de julho de 2009 | 00h00

O mínimo que o presidente Barack Obama espera levar da reunião do G-8 - que começa na quarta-feira em L?Aquila, na Itália - é um comunicado enérgico condenando tanto as violações aos direitos humanos nas eleições do Irã, quanto o avanço do programa nuclear iraniano. Um texto nesses termos já está sendo negociado por ministros do grupo (dos EUA, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Canadá e Rússia, Itália ). Mas isso é o mínimo. Em última instância, Obama pretende reenergizar a posição dos EUA no cenário geopolítico, já que a liderança americana vem sendo alvo de vários ataques. A China insiste em incluir na reunião do G-8 mais 5 (Brasil, Rússia, China, Índia e México), na quinta-feira, a discussão de um substituto para o dólar como moeda de reserva mundial. A questão, bastante irritante para os EUA e símbolo do declínio da economia americana, não deve fazer parte do comunicado final do encontro. Mas China, Brasil, Índia e Rússia, que já discutiram o assunto no passado, certamente vão abordar o tema.Há uma semana, na Líbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o G-8 não tinha mais a mesma importância política. E a menor relevância do G-8 está ligada tanto à "ascensão do restante", como se refere o analista Fareed Zakaria à emergência dos grandes países em desenvolvimento, como ao declínio das grandes economias, principalmente os EUA.A chanceler alemã, Angela Merkel, prepara-se para atacar as posições heterodoxas dos bancos centrais do mundo, em especial do FED (americano), que estão adotando várias medidas para estimular a economia. Merkel já havia criticado o grande déficit dos países ricos e alertado para o perigo de uma inflação descontrolada. Os EUA divergem frontalmente da posição da chanceler alemã, já que acreditam ser necessário ainda mais estímulo na economia, e não "pé no freio". Alemanha e EUA já haviam divergido na reunião do G-20, em abril, em Londres. Os EUA pressionavam a Europa a adotar pacotes de estímulo mais agressivos.A Casa Branca encara o encontro como um "intermediário" entre as duas cúpulas do G-20: a de abril e a que vai ocorrer em setembro, em Pittsburgh, nos EUA. "O objetivo é mais no sentido de trocar pontos de vista entre as duas cúpulas do que chegar a medidas concretas", disse Michael Froman, vice-conselheiro de Segurança Nacional para Assuntos Econômicos Internacionais, em entrevista com participação do Estado."Será uma oportunidade para os líderes analisarem como estão indo os esforços para recuperação econômica, quais os próximos passos para restabelecer o equilíbrio e trazer de volta empregos e exportações."Uma das bandeiras que Obama deve levantar como forma de dar nova energia à liderança americana no cenário geopolítico mundial é o combate à mudança climática. A Câmara americana aprovou na semana passada uma lei determinando a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa. A lei é bastante modesta diante dos objetivos fixados pelo painel da ONU, mas, mesmo assim, trata-se de uma incrível mudança em relação ao governo de George W. Bush. Os EUA voltaram à liderança multilateral na questão climática.Na reunião das chamadas Grandes Economias - que incluem os EUA, a União Europeia e 12 dos maiores países do mundo - estão costurando um compromisso para reduzir em 50% a emissão de gases causadores do efeito estufa até 2050, em relação ao nível de 1990. "A ideia é dar impulso político para as negociações que antecedem a reunião em Copenhagen, no fim do ano", disse Froman. O encontro na Dinamarca tem como objetivo determinar o tratado que sucederá ao Protocolo de Kyoto.De L?Aquila, Obama vai para o Vaticano, onde tem audiência com o papa Bento XVI. De lá, ele voa com a primeira-dama, Michelle Obama, para Gana - a primeira visita do presidente ao continente de seu pai, que nasceu no Quênia.

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