Obama chama rival de 'Romney Hood' e acirra tom da campanha

Presidente diz que republicano quer blindar ricos contra impostos e é acusado de alimentar a 'cultura da dependência'

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2012 | 03h08

Ansiosos para conquistar a parcela indecisa do eleitorado de classe média dos EUA, Barack Obama e Mitt Romney estão apelando para os ataques pessoais. Na noite de segunda-feira, em um evento de arrecadação de fundos para sua campanha, o democrata chamou seu adversário de "Robin Hood às avessas". Ontem, o republicano rebateu, acusando o presidente de promover a "cultura da dependência" dos americanos mais pobres com relação ao governo.

"Ele é o Romney Hood", afirmou Obama, provocando risos entre os doadores para a campanha democrata reunidos em um hotel de Stamford, Connecticut.

Política fiscal. Candidato à reeleição, o presidente referiu-se à proposta do rival de manter a alíquota reduzida de imposto de renda para os americanos com ganhos anuais superiores a US$ 250 mil, adotada em 2006 e prorrogada desde então pela bancada republicana no Congresso sob o pretexto de estimular o crescimento econômico.

Segundo Obama, o plano fiscal de seu adversário prevê isenções tributárias aos americanos mais ricos, o que resultará em um aumento de US$ 2 mil dólares em impostos por ano às famílias de classe média.

A Casa Branca enviou um projeto de lei ao Congresso para acabar com o benefício e conceder incentivo fiscal para os americanos com renda inferior a US$ 250 mil e às pequenas e médias empresas. O próprio Obama, no entanto, considera impossível sua votação antes da eleição de novembro.

Em entrevista à emissora conservadora Fox News, Romney tentou ontem desatrelar-se da alcunha e desferiu novos ataque contra seu adversário. Acusou Obama de ter acabado com a contrapartida do programa federal de concessão de ajuda financeira aos americanos carentes que fornece treinamento ou especialização para habilitá-los a novos postos de trabalho.

"Vamos acabar com a cultura da dependência e restaurar a cultura do trabalho duro", afirmou Romney, dizendo que Obama está "sozinho".

Acusações mais pesadas entre os rivais são esperadas à medida que a campanha se aproxima das convenções partidárias, marcadas para o fim de agosto e início de setembro. Os ataques são financiados por grupos formados especialmente para apoiar as candidaturas.

A empresa Americanos para a Prosperidade, associada a Romney, promete gastar US$ 25 milhões nos próximos três meses em anúncios contra Obama nos nove dos Estados considerados decisivos na eleição de novembro.

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