Obama chega à África do Sul em meio a protestos e vigília por saúde de Mandela

Ídolo político. Segunda etapa da visita oficial do presidente americano ao continente é marcada pelo estado crítico do líder antiapartheid, de 94 anos; manifestantes concentram-se em Pretória para criticar medidas da política externa de Washington

PRETÓRIA, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2013 | 02h11

Em meio a protestos contra os EUA e uma longa vigília dos sul-africanos pelo estado de saúde do líder antiapartheid Nelson Mandela, o presidente americano, Barack Obama, chegou ontem a Pretória, para uma visita oficial de três dias. Era remota a possibilidade de o primeiro presidente negro da história americana visitar Mandela.

A bordo do avião presidencial que o levou à África do Sul, vindo do Senegal, Obama homenageou Mandela e rebateu críticas de que a visita ao líder serviria para melhorar sua imagem. "Não preciso de uma foto oportunista e a última coisa que eu quero é ser invasivo no momento em que a família está preocupada com o estado de Mandela", disse o presidente. "A principal mensagem que queremos entregar é de gratidão por sua liderança", completou.

A África do Sul é a segunda etapa da viagem de Obama ao continente. Amanhã, ele deve visitar a Ilha Robben, onde Mandela passou 18 de seus 27 anos de prisão. Mandela, de 94 anos, luta contra uma infecção pulmonar que o levou a ser internado há cerca de três semanas.

"Vamos atender completamente aos desejos da família Mandela e trabalhar com o governo sul-africano no que diz respeito à nossa visita", disse o vice-conselheiro de segurança nacional Ben Rhodes a repórteres ainda no Senegal.

Protesto. Manifestantes sul-africanos que protestam contra a visita de Obama ao país se concentraram ontem a poucos quarteirões do hospital de Pretória onde o herói da luta contra o apartheid está internado. Seus sinais vitais são mantidos por aparelhos que parentes hesitam em desligar. Como a família está dividida sobre o local em que o corpo líder deveria ser enterrado, a questão está na Justiça.

Cerca de 200 sindicalistas, ativistas estudantis e membros do Partido Comunista da África do Sul integraram o protesto. Eles qualificaram a política externa americana de arrogante, egoísta e opressiva. "Ele (Obama) veio como uma decepção, acho que Mandela também estaria decepcionado", disse Khomotso Makola, um estudante de direito de 19 anos.

Os críticos sul-africanos de Obama têm como alvo particular o seu apoio ao uso de drones no exterior, que segundo eles resultou na morte de centenas de civis inocentes, e seu fracasso em cumprir a promessa de fechar o centro de detenção militar dos EUA em Guantánamo, onde estão presos suspeitos de terrorismo sem acusação formal.

Antes de deixar Dacar, capital senegalesa, Obama teve um encontro com agricultores e empresários locais para discutir as novas tecnologias que estão ajudando os agricultores e suas famílias na África Ocidental, uma das regiões mais pobres e mais propensas à seca do mundo.

Ainda no Senegal, Obama disse considerar Mandela um herói. "Tive o privilégio de conhecê-lo e falar com ele. E ele é um herói pessoal, mas eu acho que não sou o único que pensa assim", disse Obama. / AP e REUTERS

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