Obama chega a Gana para primeira visita à África Negra

Por suas raízes africanas, presidente americano é visto como herói na região; viagem irá durar apenas um dia

10 de julho de 2009 | 18h28

Com cartazes, jovens quenianos esperavam Obama no aeroporto de Acra. Foto: Reuters

 

ACRA - O presidente Barack Obama chegou nesta sexta-feira, 10, a Gana, em sua primeira visita à África Subsaariana, também chamada de África Negra, desde que assumiu o cargo. Por suas raízes africanas - o pai de Obama é queniano -, o chefe de Estado é visto como um herói na região e deve levar uma mensagem que destaca a importância de um bom governo ao país pobre.

 

Esta é a última etapa de uma viagem que começou na Rússia, no início da semana, e passou também pela Itália, para a cúpula do G-8. No sábado, o líder americano deve se encontrar com presidente de Gana, John Atta Mills, e fazer um discurso no Parlamento antes de voltar a Washington, em uma passagem que irá durar menos de 24 horas.

 

Assessores de Obama admitem que gostariam de dedicar à África uma viagem exclusiva, mas "a agenda" do presidente não teria permitido. O desconforto nos bastidores começou com a própria escolha de Gana como primeiro destino do presidente na África (à exceção do Egito).

 

O Quênia acreditava ser o candidato natural a primeiro destino. Quenianos acompanharam de perto a trajetória de Obama e o dia da sua posse foi declarado feriado nacional. Mas a Casa Branca preferiu driblar Nairóbi. O motivo seria a tormenta pela qual passa o país desde as eleições de 2008, quando o então opositor Raila Odinga, da etnia luo, não reconheceu a vitória de Mwai Kibaki, um kikuyo.

 

Choques sectários deixaram mil mortos, até que um pacto levou Odinga ao cargo de premiê e Kibaki à presidência. País mais populoso da África e grande fornecedor de petróleo para os EUA, a Nigéria também se mostrou decepcionada com a opção por Gana.

 

Em nota, a Casa Branca justificou a escolha argumentando que deseja "sublinhar a importância da boa governança e da sociedade civil para o desenvolvimento" na África - e Gana seria um exemplo de estabilidade. Acra livrou-se do domínio britânico em 1957 e, após sucessivos golpes, o ex-presidente Jerry Rawlings implementou em 1992 um sistema multipartidário. Desde então, opositores já chegaram duas vezes ao poder por meio de eleições.

 

"Obama deseja uma política coerente para a África, menos centrada em pessoas e na guerra ao terror e mais preocupada em parcerias com africanos que compartilham valores com os EUA", disse ao Estado Colin Thomas-Jensen, do Enough Project, próximo do partido Democrata. A viagem a Gana seria um aceno nesse sentido.

 

(Com Roberto Simon, de O Estado de S. Paulo)

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