Reuters
Reuters

Obama chega ao Japão e inicia sua 1ª visita oficial à Ásia

Presidente tenta estreitar laços com a região mais populosa do mundo; base militar opõe Tóquio aos EUA

estadao.com.br,

13 Novembro 2009 | 08h09

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou ao Japão nesta sexta-feira, 13, iniciando a primeira etapa do giro que passará por quatro países da Ásia para enfatizar que os EUA também são uma nação do Pacífico e que pretende estreitar os seus laços com a região, cada vez mais dominada pela China. Na pauta da viagem estão o crescimento econômico, a não-proliferação nuclear, a guerra no Afeganistão e a mudança climática.

 

Veja também:

Integração asiática é desafio para Obama

''Obamania'' causa furor na China 

 

O objetivo do giro de Obama por quatro países asiáticos é fazer frente a sugestões de que os EUA  estariam perdendo influência na região mais populosa do mundo por estarem com a atenção voltada para problemas internos e para as guerras no Iraque e no Afeganistão.

 

Obama desembarcou em Tóquio num período de incertezas nas relações entre os dois aliados nas questões de política externa e de bases americanas. O presidente americano vai se reunir com o primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, que ao ser eleito prometeu refundar a relação com os EUA sobre bases mais justas. Hatoyama também prometeu parar de abastecer os navios da coalizão liderada pelos EUA que transportam armas e suprimentos para a guerra no Afeganistão, além de propor a revisão do acordo militar que permite aos EUA estacionarem 47.000 soldados no Japão. Hatoyama também propõe a formação de um bloco comercial asiático que exclua os EUA.

 

Até recentemente, os EUA podiam contar com o Japão - seu aliado mais próximo nos últimos 50 anos na Ásia - para abrir o caminho diplomático na região. Porém, a recente vitória da centro-esquerda no governo japonês ameaça fortalecer essa relação. Hatoyama quer revisar o acordo de segurança formalizado com os EUA em 1960 e afirmou que pretende abandonar um impopular plano de construção de uma nova base militar americana em Okinawa. A realocação de quase 10 mil fuzileiros americanos instalados na maior das 88 bases dos EUA no Japão, na Ilha de Okinawa, ameaça abalar as relações militares entre os dois países.

 

A base foi imposta aos moradores da ilha em 1945, no fim da 2ª Guerra, depois de os EUA terem subjugado os japoneses lançando duas bombas atômicas, sobre Hiroshima e Nagasaki. O que durante a ocupação representou uma presença humilhante converteu-se, no século 21, em peça estratégica para confrontar ameaças tanto da China quanto da Coreia do Norte. Mas o escudo aliado sobre o Extremo Oriente passou nos últimos anos a ser visto como um estorvo. Okinawa representa menos de 1% do território japonês, mas abriga mais de 75% dos militares americanos presentes no Japão. A base está num centro urbano saturado e é vista como um entrave para seu desenvolvimento.

 

Visualizar Giro de Obama pela Ásia em um mapa maior

Tóquio é a primeira parada de um giro de oito dias pela Ásia. Em Cingapura, participará do encontro anual no fórum econômico Ásia-Pacífico. Na Coreia do Sul, o foco será as ambições nucleares norte-coreanas. Mas o maior desafio de Obama na Ásia é o crescente poder econômico e militar da China. Obama se encontrará com os líderes chineses em Xangai e Pequim, fará excursões à Grande Muralha e à Cidade Proibida e terá um encontro com jovens chineses na Prefeitura de Xangai.

 

Washington e Pequim desenvolveram uma relação econômica de dependência mútua. O mercado americano é o principal destino das exportações chinesas e sustentou grande parte do processo de acumulação de reservas internacionais por Pequim, que hoje está sentado sobre uma montanha de US$ 2,27 trilhões. Na mão contrária, a China é a maior financiadora do déficit americano e a principal credora do país, com cerca de US$ 800 bilhões de títulos do Tesouro.

 

Coreia do Norte

 

Obama advertiu a Coreia do Norte que seguirão as sanções internacionais enquanto não se adote passos irreversíveis rumo ao seu desmantelamento nuclear, em entrevista divulgada nesta sexta-feira pela agência sul-coreana Yonhap. "Esta é a escolha que a Coreia do Norte enfrenta. Ela tem a oportunidade de ser aceita pela comunidade internacional se cumprir com as obrigações internacionais e viver de acordo com seu compromisso", acrescentou Obama.

 

Ao mesmo tempo, o presidente americano defendeu o diálogo multilateral, no qual participam Estados Unidos, China, Japão, Rússia e as duas Coreias, como o "melhor marco" para pôr fim ao programa nuclear norte-coreano de forma pacífica. Em abril, Coreia do Norte anunciou seu abandono definitivo das negociações multilaterais por causa da condenação unânime do Conselho de Segurança da ONU pelo lançamento de um suposto foguete de longo alcance. Posteriormente, o Conselho de Segurança impôs sanções mais duras ao regime de Kim Jong-il, em resposta ao segundo teste nuclear que realizou em maio. Recentemente, o regime norte-coreano se mostrou disposto a retornar ao diálogo multilateral em função do resultado de negociações bilaterais com os EUA.

 

Na entrevista a Yonhap, Obama reiterou que seu governo está disposto a iniciar esse diálogo bilateral com Coreia do Norte no marco da reunião multilateral, mas não disse quando teria seu início. "Estamos abertos ao encontro bilateral como parte do processo do diálogo multilateral se isso conduz a um pronto reatamento das negociações para o desmantelamento nuclear", especificou.

Mais conteúdo sobre:
Japão EUA Barack Obama

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.